Ah! A covardia!
By vitor_hugo on out 30, 2009 with Comentários 0
Em meu peito guardo a razão da minha falência. Neste momento, olho através de um vidro repleto de marcas de dedos, um tanque de água; seguro minhas lamúrias ao teclar este texto. Ouço o som de muitos jovens na quadra de esportes e de pássaros cantando sob as árvores. Todos estão ali, homens e animais, desfrutando o tempo que lhe foi proposto por Deus para este dia. Sinto saudades da minha adolescência ao ver estes garotos, correndo, gritando, jogando. Por vezes sinto ciúmes dos pássaros, pois não possuem preocupações. Ganharam um horizonte inteiro para voar, e seus inimigos, são reflexos do próprio instinto animal, da lei natural, e não da ignorância, ganância e falta de amor consciente. A natureza possui suas peculiaridades: os pássaros não passam por crises existenciais.
Acabei de reler o texto, os profetas, de Ricardo Gondim. O qual me fez descer ainda mais ao abismo da minha relevância ante a sociedade, e claro, ante ao reino de Deus. Folheio atônito as páginas da revista Ultimato em minha mesa. Na matéria de capa: “Coragem”. Tento rasgar, apagar, ignorar esta palavra de meu dicionário vivencial. Sinto-me acuado e por vezes persuadido pelo sistema corrupto que me é visível. Persuadido, pois ao contrário dos verdadeiros profetas, sigo calado, inerte, petrificado. Sinto-me coagido, acovardado e irreverente a verdade, pois calo-me com o medo de ser calado, esquecido, ignorado, desprezado (o medo de sermos desprezados, nos faz vender a alma!). Pergunto-me: será esta a minha vaidade? Covardia? Ou negligência? Acorvado-me, pois sinto pela minha esposa, minha filha e meus amigos; cerro meus lábios.
Porém…
Sinto medo de tornar-me insípido como muitos, e ser pisoteado sob o pressuposto de que: “a vida é assim mesmo!”; “vamos tocando em frente!”; “deixa pra lá!”; “pense mais em você!”; “você vai se acostumar!”; “sempre foi assim!”; “nunca mudará!”; “não adianta falar!”. Certo dia me deparei com uma frase, na verdade, uma pérola que dizia: “Você não deve lutar por aquilo que você tem a certeza que dará certo, mas sim por aquilo que você acredita ser o certo”. Até este exato momento, tento extrair deste pensamento a sua prática, e confesso: o cercado da minha covardia, vaidade, e negligência, tem se mostrado mais forte.
Sinto frio, sinto-me sem alma, sinto-me sem vida.
Sinto minha repugnância!
Arquivado em: Vitor Hugo
Sobre o autor: Vitor Hugo da Silva, 27 anos; Um cristão que vive diariamente o velho dilema Paulino: "Miserável homem que sou!". Estudante de teologia no Centro Evangélico de Educação e Cultura - CEEDUC. Casado com Juliana, e papai da Gabriela. Serve como presbítero na Igreja Evangélica Assembléia de Deus de Joinville; congregação do Porto Rico.
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Perfeito pensamento, bem ilustrado na simples frase: “Você não deve lutar por aquilo que você tem a certeza que dará certo, mas sim por aquilo que você acredita ser o certo”