Wittenberg e Azusa na volta às origens
By rodrigo_aquino on out 19, 2009 with Comentários 0
Estamos no mês onde tradicionalmente se comemora a Reforma Protestante, evento desencadeado no dia 31 de outubro de 1517, após Lutero fixar 95 teses contra as indulgências e outros desvios teológicos da igreja na época. No intuito de valorizar esse evento, o CEEDUC|Centro Evangélico de Educação e Cultura está promovendo a quarta edição do Fórum de Pentecostalidade e Reforma. Essa semana gira em torno do possível diálogo desses dois movimentos que tinham e tem algo em comum: servir ao Reino de Deus voltando às origens, voltando-se para o NT. Todos concordam que uma reforma se faz necessária, ou melhor, que uma volta aos princípios da Reforma urge!
A Reforma
É bem verdade que Lutero não pretendia deflagrar um movimento com as 95 teses, antes, esclarecer uma questão que afetava diretamente a espiritualidade de seus paroquianos: a indulgência. O reformador só queria como teólogo e cura d’almas, zelar pela correta doutrina e pregação da Igreja.[1] Contudo, abalou os fundamentos medievais de seu tempo e abriu novos horizontes na política, na economia, na educação, etc. A Reforma, de certa forma, é uma volta as origens, é a busca pela centralidade de Cristo, da fé, da graça e das Escrituras.
O Pentecostalismo
O pentecostalismo enquanto outro movimento do Espírito, organiza-se em 1901 em Topeka e rompe fronteiras com a rua Azusa. O pentecostalismo é também uma volta às origens, e ainda que não reconheça, deve sua existência a Reforma. Sua convicção de ser um resgate as origens é tão intenso que praticamente despreza toda a história eclesiástica que vem atrás de si, dando importância somente as Escrituras, o que é muito bom, e ruim, pois não podemos negar o rastro da história, daqueles que procuraram viver a escritura antes de nós.
Busca Comum
Penso que Wittenberg e Azusa são duas tentativas de volta às origens, é claro, com ênfases diferentes. Mas a idéia que perpassa os dois movimentos é a mesma: um cristianismo limpo de tradicionalismos e invenções humanas. Mas como todo movimento que surge na história da igreja, sua força inicial é amenizada surgindo sempre um grupo que tenta voltar às origens, que embalaram o início do movimento. Tanto igrejas reformadas como pentecostais sempre de novo, procuram voltar as origens.
Não precisamos de uma nova reforma
Com tanta história atrás de nós, marcadas por erros e acertos, creio que não precisamos fazer uma nova reforma, devemos sim, resgatar os princípios bíblicos e as balizas defendidas pela Reforma Protestante do séc. 16, e a busca pelo poder do Espírito Santo difundido pelo movimento pentecostal do séc. 20. Mesmo que estejamos no séc. 21, esses princípios são atuais, visto a história ser cíclica. Prova de que devemos resgatar a história a inventar algo novo, são os ranços da Idade Média que estão presentes na igreja hodierna. Tanto reformados luteranos como pentecostais se perderam, em grande medida, nos becos da história e precisam achar o caminho de volta. O ideal seria se ambos os movimentos andassem de mãos dadas, um aprendendo com o outro, resgatando o que cada um tem de melhor.
Considerações finais
Sinceramente? Dando uma rápida olhada para os herdeiros da reforma e do movimento pentecostal tal resgate parece impossível. De um lado, generalizando, temos os reformados, que se engessam numa liturgia sem vida e cor e uma teologia fechada em si mesma, de outro, os pentecostais, que dando fruto à imaginação inventam modismos atrás de modismos, transformando esoterismo em cristianismo em nome de Jesus Cristo. Mas nem tudo está perdido certo? Pois ainda temos: reformados que crêem que a academia pode se relacionar com a ação do Espírito e, pentecostais que valorizam a teologia e reconhecem que “nem tudo cai do céu”. Nossa lição de casa é resgatarmos a história e não falarmos “latim” ao povo. E a educação pode ser um caminho nessa busca pelo caminho de volta para casa.
PS – Reconheço que esse texto é incompleto diante de temas tão profundos, contudo, seu objetivo era uma pequena reflexão para divulgar a IV Fórum de Pentecostalidade e Reforma, que acontecerá no CEEDUC nos dias 26 a 28 de outubro de 2009.
Maiores informações no 3466 0058 ou fala com a gente!!! E clique na imagem para ler as informações, pois eu não sei mexer nesse trem direito…
[1] DREHER, M. N. In: LUTERO, Martinho. Obras selecionadas: os primórdios escritos de 1517 a 1519. 2 ed. São Leopoldo: Sinodal, Porto Alegre: Concórdia, Canoas: Ulbra., 2004. v.1. p. 20.
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Sobre o autor: Rodrigo de Aquino é formado em Teologia pela Faculdade Luterana de Teologia e licenciando em Filosofia. Atua no CEEDUC|Centro Evangélico de Educação e Cultura – Faculdade Refidim, como professor e pesquisador e no SETESC como professor convidado. É escritor do Blog www.ocioteologico.blogspot.com e também co-criador desse portal. Seu primeiro livro se chama: Rascunhos da Alma: reflexões sobre espiritualidade cristã.
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Talvez não seja o momento ainda, mas é importante já destacar o avivamento na Rua Azusa, tem uma música da Banda Khorus que fala sobre este acontecimento: “Há muito tempo já prometido | E por alguns era esquecido | Mas de novo apareceu Na Rua Azuza acendeu” (Pentecostes)
Wikipedia
O reavivamento da Rua Azusa foi uma reunião de reavivamento pentecostal que se deu em Los Angeles, Califórnia, presidida por William Joseph Seymour, um sacerdote afro-americano. Teve início com uma reunião em 14 de Abril de 1906 na Igreja Metodista Episcopal Africana e continuou até meados de 1915. O renascimento foi caracterizado por falar em línguas estranhas, cultos dramáticos, milagres antes não vistos e confusão inter-racial. Os participantes foram criticados pela mídia secular e teólogos cristãos por considerarem o comportamento escandaloso e pouco ortodoxo para a época. Hoje, o movimento de reavivamento é considerado pelos historiadores como principal catalisador para a propagação do pentecostalismo no século XX.