A Vocação dos Discípulos – Pedro

Simão (Pedro)
Lucas 5.1-11 

Nada. Nem um peixinho sequer. O que iria contar à esposa? Certamente ela se chatearia. Passara a noite fora, pescando, e não levaria nem um marisco para casa? Mais do que se chatear, ela desconfiaria. Ora, então era melhor inventar alguma coisa. Isso, uma mentirinha. Mas não diziam que mentir era errado? Não, não era bom inventar nada. Errado ou não, o fato é que cedo ou tarde a mulher descobriria e a fúria seria ainda maior. Precisava pensar numa saída.

Enquanto pensava, foi com os companheiros lavar as redes. Estavam imundas. Tinham arrastado em tudo durante a noite: areia, pedra, lama, lodo, gravetos… Menos peixes. Ao menos não tinham se danificado como as redes dos parceiros do barco ao lado, que tinham diversos rasgos. Estavam somente sujas – e muito sujas por sinal. Começou a lavar.

Enquanto abaixava e levantava os braços freneticamente, molhando as redes à beira da praia, observou o irmão, que lavava outra desta. Seu irmão era estranho. Dias antes, havia visto-o chegar correndo e dizer que tinha encontrado o Messias. Curioso, seguiu o irmão até onde estava o tal homem. Apresentaram-se e, ao olhá-lo, o homem disse que de agora em diante seu nome seria Pedro. Essa é boa. Pedro. O que Simão tinha a ver com Pedro? O irmão devia ser meio maluco, e o homem mais ainda. E ainda não sabia o que dizer à mulher.

Analisava tudo isso quando, como que por encanto, o homem aparece no seu campo de visão. Mais essa agora. Por onde aquele homem passava, uma enorme multidão o seguia; ou seja: em poucos minutos, a praia ficou terrivelmente cheia. Que desperdício! Praia lotada e nenhum peixinho para vender. Era mesmo uma lástima.

Distraiu-se na tarefa de lavar as redes e, quando percebeu, o tal Messias tinha entrado no seu barco e pedia para afastá-lo um pouco da praia. Essa não. Justo no seu barco! Ia tirar aquele homem dali a força. Mas e se ele fosse mesmo o Messias? Tudo bem, o pedido não era tão complicado. Fez o que lhe fora solicitado, enquanto o homem sentava-se e falava à multidão.

Quando terminou o discurso, o homem olhou bem em seus olhos e disse para levarem o barco onde o lago era fundo e então jogarem as redes para pescar. Foi obrigado a sorrir. Era só o que faltava. O que um carpinteiro entendia de pescaria? Não, não ia ouvir esse homem, por mais que ele fosse o Messias. Não, não, não e não. Respondeu que já tinham pescado a noite toda e não conseguiram nada. Deu-lhe as costas, confuso, e fez menção de sair do barco. Parou e olhou para o irmão. E se o homem fosse mesmo o Messias? Mordiscou o lábio inferior e fitou os próprios pés descalços por um instante. Virou-se, suspirou e disse ao homem: “Se é você quem está mandando…”.

Começou a conduzir o barco até a parte mais funda do lado e preparou as redes. Se pescasse alguma coisa, mudaria mesmo seu nome para Pedro, pensou e sorriu.

Jogou as redes e esperou. Quando foi puxá-las… Inacreditável! Estavam quase arrebentando de tão cheias! Arregalou os olhos e arqueou as sobrancelhas, enquanto a boca abria instintivamente em sinal de espanto. Assim que recobrou a consciência, chamou os companheiros do barco ao lado para ajudar, e ficou ainda mais abismado quando viu que os dois barcos estavam tão cheios que quase afundavam.

desenho simão

Desesperou-se e pensou em fugir: era um pecador diante do Messias! Antes que pudesse tomar uma atitude a respeito, o homem encarou-o com um olhar tranqüilo e penetrante. Pediu para que não se assustasse e viesse com ele, para pescar gente.

O que quer que aquilo significasse, imediatamente conduziu o barco até á praia e enquanto retirava os peixes observou para onde o homem ia. Arrastou o barco até um local mais reservado, largou tudo e correu para não perder o Messias de vista.

Um conhecido gritou, chamando-o: “Simão! Ei, Simão!”. Nem olhou para trás. Estava com os olhos fixos naquele homem. “Pedro”, pensou. “Meu nome agora é Pedro”. 

Ver também:

Mateus 4.18-20; Marcos 1.16-18 (quando Jesus chamou);

Marcos 1.29-30; 1Coríntios 9.5 (era casado);

Atos 4.13 (não tinha instrução religiosa);

João 1.40-42 (o irmão André leva-o a Jesus).

Por Camila Monick.
Ilustração: Nely.

Leia a vocação de André, clique aqui!

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Sobre o autor: Rodrigo de Aquino é formado em Teologia pela Faculdade Luterana de Teologia e licenciando em Filosofia. Atua no CEEDUC|Centro Evangélico de Educação e Cultura – Faculdade Refidim, como professor e pesquisador e no SETESC como professor convidado. É escritor do Blog www.ocioteologico.blogspot.com e também co-criador desse portal. Seu primeiro livro se chama: Rascunhos da Alma: reflexões sobre espiritualidade cristã.

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  1. Pedro era muito gente boa, pediu pra Jesus curar a sogra

  2. Cami Monick disse:

    HAHAHAHA
    Verdaade Willian!

    Temos muito a aprender com Pedro!

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