E A CRUZ?
By vitor_hugo on mar 01, 2010 with Comentários 0
Ah! A cruz de Cristo!
Esta sim, tornou-se a propiciação dos desejos desenfreados dos homens. A luz para os que buscam a felicidade material. A resenha dos sonhos ufanistas, daqueles que ousam em sonhar alto. O emblema da felicidade autêntica, da felicidade instantânea. O escudo que dilacera os inimigos. O amuleto das finanças inseguras. A proteção dos pescoços desavisados. O esconderijo dos pecados dos pecadores não arrependidos.
Das várias formas que se deu a ela, a sua essência se perdeu. A cruz está alegórica e já não possui literalidade. Para onde foi o seu escândalo? O que houve com seu peso? Onde estão seus pesados pregos? Onde estão as manchas do imaculado sangue do filho de Deus aspergido sobre seus discípulos?
O cálice tão pesado a Jesus, tornou-se símbolo benévolo de uma sociedade triunfalista que determina sobre as chagas do Cristo crucificado as suas bênçãos. Esta cruz antes tão odiada e rejeitada, agora, tão desejada e idolatrada. Constantinos ainda emergem da imortal religiosidade bradando: “Por este sinal venceremos! A tudo e a todos”. Não há mais quem se envergonhe, não há quem seja perseguido. A mensagem do calvário fora dilacerada pelo pragmatismo gospel, e pela contingência da sociedade “cristã” ante ao Evangelho.
Recebe-se Cristo, porém, ignora-se a cruz da ignomínia. Ouvem-se gritos: “Queremos Cristo!”; porém, ouvem-se lamúrias: “Mas, não a Sua cruz!”. Logo, ouve-se uma solução funesta: “Aqui existe um Cristo sem cruz!”.
Em meio ao desprezo do discipulado da cruz de Cristo. Em meio à tentação de abandoná-la. Surge um grito da reforma, um eco de suas teses[1], sobre uma geração que desconhece o valor e peso do discipulado da cruz. “Portanto, fora com todos esses profetas que dizem ao povo de Cristo “Paz, paz!” sem que haja paz!”[2]; “Que prosperem todos os profetas que dizem ao povo de Cristo “Cruz! Cruz!” sem que haja cruz!”[3].
Por Vitor Hugo (vitorhugo@formulados.com.br).
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[1] AS 95 teses de Lutero na Reforma Protestante.
[2] Tese nº 92.
[3] Tese nº 93.
Arquivado em: Vitor Hugo
Sobre o autor: Vitor Hugo da Silva, 27 anos; Um cristão que vive diariamente o velho dilema Paulino: "Miserável homem que sou!". Estudante de teologia no Centro Evangélico de Educação e Cultura - CEEDUC. Casado com Juliana, e papai da Gabriela. Serve como presbítero na Igreja Evangélica Assembléia de Deus de Joinville; congregação do Porto Rico.
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O primeiro parágrafo falou tudo Vitor. Assino embaixo. Que o Senhor nos dê sabedoria e ousadia para enfrentar esse novo Evangelho e essa nova Cruz! Cruz de plástico (mais leve) ou descartável mesmo! Usa e joga fora!!! Misericórdia de nós!
É verdade. As pessoas não entendem a consequência dos seus próprios pecados, logo não entendem a grandeza da Cruz.
uau, esta foi forte: Ouvem-se gritos: “Queremos Cristo!”; porém, ouvem-se lamúrias: “Mas, não a Sua cruz!”
Mário!
Estou com saudades de você meu irmão.
Temos que cuidar ao máximo para não caírmos nesta armadilha de Evangelho sem cruz, sofrimento etc. No Blog da Adelita li uma frase dentro de um artigo do Marcos Botelho que me fez refletir. Na verdade, não é nenhuma novidade, porém este tipo de reflexão sempre agita nosso ego. Ele escreveu: “Quando encontramos Cristo não jogamos melhor futebol, nem ganhamos dos que odeiam o evangelho. Aprendemos com o mestre o valor da humildade, do amor, da ética”.
Um abraço!
Olá Davi!
Eu nem diria consequências, mas sim natureza neste caso.
As pessoas hoje desconhecem sua natureza pecadora, por isto, ignoram a cruz, fazendo dela um mero amuleto de seus desejos pessoais. Podendo chegar ao cúmulo da blasfêmia contra Cristo. Ignorar o discipulado da cruz com suas dores e sofrimentos, é ignorar Cristo e sua obra redentora.
Um abraço!
Olá Davi!
Eu não utilizaria a palavra consequência, mas sim, natureza. Ou seja, pelas pessoas desconhecerem sua natureza pecadora, e carente de restauração, elas acabam ignorando a cruz de Cristo, fazendo dela apenas um amuleto.
Desprezar o valor da cruz e de seus discipulado com seus sofrimentos, é ignorar a obra redentora de Cristo; é blasfêmia!
Uma braço!
É aquela história: se quer os bônus da Cruz de Cristo e se rejeita os ônus da Cruz de Cristo. Mas as coisas estão juntas. Há um peso a se carregar. Não adianta usar carregar cruz de isopor e dizer que está levando a Cruz de Cristo.
Sim, sem contar que muitas vezes a cruz só é lembrada pela misericórdia de Jesus, e ignorada como aquilo que devemos levar, também.
É ensinado sobre uma facilidade, em que importa que haja bênçãos, independente da forma de recebê-las e o que está fora disso, é “obra do diabo”.
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