Jejum

jejum1O jejum perfaz tanto a história de Israel como a história eclesiástica, mas o que de fato é o jejum? Como e quando devo fazê-lo? Será que existe um paradigma dessa prática que atravessa os séculos na prática cristã? As escrituras através de seus relatos nos revelam diferentes métodos de jejum, com uma particularidade em comum, estar mais próximo de Deus e por ele ser ouvido.

Sempre que o povo de Israel encontrava-se em situações de perigo, convocava-se um jejum em termos nacionais, onde todo o povo reconhecia que somente a mão do Senhor poderia livrá-los das armadilhas do inimigo, sendo o livro de Ester o exemplo clássico dessa mobilização em prol da nação. Encontramos também no AT exemplos onde o jejum era realizado diante de aflições individuais, como Davi em 2Sm 12.16-23. No NT não é diferente, a igreja antes de tomar sérias decisões, jejuava e orava para receber orientação do Espírito Santo (At 13.2).  

Independente da forma como é realizado, o jejum é confissão de fé na provisão divina; é uma prática que mortifica nossa carne e fortalece o espírito. Quando passamos horas ou dias jejuando, uma coisa é certa, durante esse período a oração e a meditação são fatores indispensáveis, pois se não há prática espiritual, é apenas um regime, isso mesmo, jejum sem oração e palavra é mero regime.

O jejum é um tempo que você separa para estar com Deus, mesmo que seja no templo com os outros membros, onde o propósito é coletivo, jejum é entre você e Deus.

Quando de fato jejuamos e não apenas nos privamos de comida ou bebida, ficamos atentos à voz de Deus, portanto, jejuar não pode ser apenas uma prática religiosa irracional, onde cristãos estão tão acostumados a praticar esse ato que não sentem nada de novo e não vêem respostas, sabe por quê? Porque jejuar tornou-se mecânico, onde o crente não é mais levado a jejuar devido a uma intensa tribulação ou porque está diante de dois caminhos, ele jejua porque se acostumou com a prática, tornou-se uma rotina enganadora fazendo-o pensar que será mais “espiritual” por jejuar com freqüência, ou quando jejua para expor sua falsa espiritualidade na congregação, fazendo “cara de fome” e respondendo em alto e bom som que está jejuando ao Senhor. Jesus condena essa hipocrisia “…não vos mostreis contristados…” (Mt 6.16), Ele nos ensina que jejum não é para os olhos dos homens e sim para os ouvidos de Deus. Jejum está intrinsecamente ligado a humilhação diante de Deus “…para nos humilharmos perante nosso Deus…” (Ed 8.21) com o propósito de a Ele rogar socorro e orientação.

Sendo assim, a prática do jejum é saudável para o corpo de Cristo bem como para o indivíduo, desde que se tenham propósitos claros e definidos, compreendendo que jejum sem vida cristã autêntica não é aceitável ao Senhor (Is 58). Peçamos sabedoria ao Pai Celestial para que Ele nos conduza ao verdadeiro jejum, não por obrigação ou costume, mas por necessidade, contrição, humilhação e fé.

POr Rodrigo “Bibo” de Aquino
bibo@formulados.com.br

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Sobre o autor: Rodrigo de Aquino é formado em Teologia pela Faculdade Luterana de Teologia e licenciando em Filosofia. Atua no CEEDUC|Centro Evangélico de Educação e Cultura – Faculdade Refidim, como professor e pesquisador e no SETESC como professor convidado. É escritor do Blog www.ocioteologico.blogspot.com e também co-criador desse portal. Seu primeiro livro se chama: Rascunhos da Alma: reflexões sobre espiritualidade cristã.

RSSComentários (7)

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  1. Cris Salles disse:

    mto interessante a observaçao do jejum-regime… infelizmente tem mta gente que ainda pensa que jejuar é apenas ficar sem alimentar-se… esse artigo deixou claro o que de fato é um jejum a Deus…

  2. O jejum pode ser também ser usado como abstrair-se daquilo que você acha que não vive sem?
    Por ex: Sem internet, e ao invés disso, usar esse tempo pra orar e ler a bíblia?

  3. BibO disse:

    Tocaste num ponto importante Elisama, penso eu que se abster dessa coisas que citaste para se dedicar a palavra é oração é também jejum. Vejo como uma demonstração de que aquilo não te domina. Até porque a Bíblia não deixa claro o que exatamente eu posso ou não posso comer, tem jejum que pode beber água, outro comer alguma coisa, tudo depende do tempo de jejum.

    Então eu vejo que se abster daquilo que ocupa nosso tempo, para se dedicar ao Senhor, é jejum!

  4. Cris Salles disse:

    mtoo interessante mesmo o comentário da Elisama… já li alguma coisa sobre isso, e tem lógica…

  5. Davi disse:

    Muito bom!!
    Deus abençoe os formulados!
    Acho que andam esquecendo o jejum, pelo que vejo. Esses dias ouvi uma história de um pastor que queria liderar uma igreja e foi impedido. Dai ele ficou com dúvida da sua vocação e passou 21 dias numa casa perto de um riacho (se não me engano. Só com uma Bíblia e água até que Deus desse uma resposta pra ele. Não lembro direito qual foi o resultado, sei que ele era pra ser pastor mesmo. Mas isso nos faz pensar em quantos pastores tem feito isso, e quantos ministros em geral tem negado a si mesmo antes de começar um ministério. :|

  6. “Jejum sem oração é greve de fome”
    Clássica

  7. Sapão disse:

    Quando vi o texto sobre jejum, logo lembrei de Is 58. Lembrei também de 1Co 9, 27, no qual Paulo fala para submetermos a carne ao Espírito, mesmo que não queiramos. A obediência é sinal de amor com Deus e tenho certeza que não vale dar vazão aos desejos da carne

    Abraços

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