Não temas, filho! Josué 8.1

“Disse o Senhor a Josué: Não temas, não te atemorizes; toma contigo toda a gente de guerra, e dispõe-te, e sobe a Ai; olha que entreguei nas tuas mãos o rei de Ai, e o seu povo, e a sua cidade, e a sua terra.”

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O povo hebreu havia perdido sua primeira batalha, e a cidade de Ai (Hai) foi seu algoz. Este fato foi consequência de duas coisas: primeira – a soberba do povo hebreu que, ao invés de atacarem com força total, menosprezaram Ai, indo à luta com apenas alguns homens, achando que o pequeno exército oponente seria facilmente derrotado; segunda – o pecado de Acã tornou impuro todo o povo, pois este desobedeceu a Deus. Em Jericó, Acã tomou para si coisas condenadas e consagradas, a qual o Senhor disse que não tomassem ou que fosse para o Seu tesouro (1). Após a derrota, Josué, líder do povo, buscou a Deus e se humilhou, recebendo ordens de como agir: santificar o povo e punir quem trouxe condenação ao povo. Agora era hora de retomar a luta com Ai.

Por que não temer? 1 porque devemos confiar no Senhor e fazer nosso melhor sem sermos omissos; 2 porque devemos zelar pela glória do Senhor que é Soberano sobre todas as coisas; 3 porque em Jesus somos vitoriosos, não importando nossas dificuldades, mas confiando em Suas promessas bíblicas.

Aplicação: Tanto Moisés quanto Josué, geralmente ouviam a expressão: “Não temas, nem te espantes!”. Agora a expressão é: “Não temas e não te atemorizes!”. Deus não é maravilhoso? Ele sabe que eu e você, teremos nossos momentos de temor. Ele sabe que enfrentaremos derrotas. Segundo Meyer, Ai “era uma localidade relativamente pequena; mas, sem Deus, até mesmo a menor oposição é demasiado grande para nós (2)”. A soberba, e o pecado da desobediência fizeram o povo ser derrotado em uma batalha. E Ele espera que aprendamos a lição. Perdemos batalhas, isso é normal, mas nunca a guerra, se com Ele estivermos. O choro que persiste durante a noite dá lugar à alegria ao amanhecer (3). Se nós olharmos para o problema e não para Deus, valorizamos por demais o problema e vamos temer. Após a derrota, é normal que o medo encontre espaço em nosso coração. Aqui entra o refrigério da Palavra de Deus: Não temas e não te atemorizes. Meyer diz que: “Não devemos permanecer muito tempo entregues ao desespero, mas pôr-nos de pé para descobrirmos a causa da nossa derrota e eliminá-la (4).” Chamo a atenção o fato de que nem sempre a derrota está aliada a desobediência. Às vezes os motivos são outros, mas a derrota sempre serve para uma reavaliação de nossa conduta. E mesmo que já tenhamos sido derrotados por uma situação, não devemos entrar em combate com medo. Para o reformador Calvino, batalha espiritual não é confrontar demônios, mas uma luta eterna e interna contra a nossa descrença. Essa descrença gera desobediência, desobediência gera medo, e consequentemente derrotas.

Acã não pôde se esconder atrás de seus pais ou sua tribo. Nós também não podemos nos esconder atrás dos erros dos outros, atrás de nossa família cristã, atrás do nosso sobrenome, nem de placa de igreja, muito menos do líder eclesiástico. A família de Acã padeceu porque sabia de seu erro, já que os objetos foram enterrados em sua tenda (5). Se nós formos coniventes com o pecado alheio (não importa de quem) seremos tidos por culpados também, pois parte da vida cristã é zelar pelo Nome do Senhor, amar e admoestar nossa família, mostrando zelo por ela também. Arrependimento é demonstração natural da fé recebida– significa que você entendeu os preceitos de Deus, que entendeu estar errando, que entendeu que em Jesus Deus lhe perdoou, e que através dEle você pode mudar de vida. Até aqui, Deus fez, a partir daqui, Ele lhe ajuda a fazer. A chamada ao povo hebreu pós arrependimento diz: “Não temas (…) dispõe-te, e sobe a Ai”. Algo como o Senhor falando: Eu te entregarei a cidade, mas faça o seu melhor. Foi o que foi feito por Josué, usando o melhor de seus conhecimentos militares (6). Mas não foi a força ou a estratégia do povo que obteve a vitória, mas sim o socorro do Senhor (ausente na derrota da primeira investida). Nossas falhas devem nos causar mais pânico por envergonhar o Senhor do que qualquer outra coisa. Assim é demonstrado se realmente amamos a Deus e O queremos como Senhor, ou se somente queremos um salvador que nos livre do inferno e nos abençoe. “Josué parecia mais preocupado com a desonra que recaiu sobre o Nome Divino do que com o revés sofrido por seus homens”, diz Meyer (7). Devemos considerar mais a Deus do que o que perdemos em nossas batalhas (não sei o que você possa ter perdido). Deus é zeloso por sua glória e devemos sempre olhar da perspectiva dEle. Analisar como Ele enxerga nossas vitórias, nossas derrotas, nossos pecados e nossos acertos e entender como melhor podemos desempenhar nosso papel de servos dEle para honra e glória dEle.

Tudo tem o seu tempo e tempo para o seu propósito (8). Se na primeira experiência o povo foi reprovado através dos objetos tomados por Acã, agora em Ai a plenitude dos despojos foi concedida ao povo (9). Deus sabe o melhor momento para entregar as coisas ou retê-las. Que possamos aprender a Seu tempo e permanecer firmes em Suas provas. Observemos um esboço cronológico da batalha contra Ai no livro de Josué (10): pecado de Acã; o primeiro ataque a Ai – derrota; a descoberta e punição do pecado de Acã; segundo ataque – vitória. Compare com um esboço de nossa vida: o pecado de Adão; a Queda da humanidade – derrota; Deus vindo até nós em Jesus e vencendo a cruz, nosso arrependimento – vitória. Adão pode ser considerado o nosso Acã, reprovado e reprovando todos. Mas Josué (nome que significa: Javé é salvação, com variações no AT como Oséias e Jesus) pode ser considerado como uma figura de Jesus. Este Jesus que retirou nossa culpa e nos concede por graça a vida eterna. Devemos entrar em combate crendo que tudo se fez novo e que o Senhor já entregou o inimigo em nossas mãos. Creia, dispõe-te, sobe as batalhas da vida e vença, na força dEle para a glória do Seu Nome.

Referências:

(1) Josué 6.17-19 e 7.1;

(2) Comentário Bíblico devocional do Velho Testamento – F B Meyer – Betânia, p. 108;

(3) Salmos 30.5;

(4) Comentário Bíblico devocional do Velho Testamento – F B Meyer – Betânia, p. 108;

(5) Josué 7.21;

(6) Josué 8.3-8;

(7) Comentário Bíblico devocional do Velho Testamento – F B Meyer – Betânia, p. 108;

(8) Eclesiastes 3.1;

(9) Josué 8.27;

(10) Josué 7.1, 2-5, 6-26; 8.1-29.

Ave Crux, Unica Spes.

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Sobre o autor: Não temas, filho! – É um devocional de autoria de Alberto M de Oliveira, e é publicado no blog Ecclesia Semper Reformanda Est, de propriedade do mesmo. Sua divulgação é autorizada e incentivada pelo autor, em qualquer meio virtual, desde que, como um bom cristão, seja divulgada a fonte. ---- http://ecclesiareformanda.blogspot.com/ http://twitter.com/betochurch http://www.skoob.com.br/meus_livros/estante/21688/page:1 http://formulados.com.br/v1/category/devocional-nao-temas/ Beto Church 47 8409 2256

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