Predestinados à perdição eterna?

bb33381a35cbd004fa51174ef95dd9689570dd13Definitivamente não fomos criados para a ira: “porque Deus não nos destinou para a ira, mas para alcançar a salvação mediante nosso Senhor Jesus Cristo” (I Ts. 5: 9); e “Porque não tenho prazer na morte de ninguém, diz o Senhor Deus. Portanto, convertei-vos e vivei” (Ez. 18: 32). Sempre fora, o desejo de Deus que todos os homens chegassem à salvação, “não querendo que nenhum pereça, senão que todos chegassem ao arrependimento” (2 Pd. 3: 9b). A expressão neste versículo “todos”, não se trata de uma hipérbole, um exagero de expressão, mas sim que “TODOS” os indivíduos, literalmente, chegassem à salvação. Infelizmente nós bem sabemos que não é isto o que vem ocorrendo no decorrer da história. E pelo fato desta salvação universal não ter ocorrido, não podemos de forma algum indiciar Deus como o causador destas almas perdidas.

Não há dúvidas que Deus é soberano em tudo, e bem poderia salvar a todos ou fazer com que todos se perdessem: “Logo, tem ele misericórdia de quem quer e também endurece a quem lhe apraz” (Rm. 9: 18). Entretanto, Deus permite que muitos venham a optar pela perdição, serrando o seu coração para salvação. O fato de Deus ter endurecido o coração de faraó, não quer dizer diretamente que Deus tenha influenciado na escolha de Faraó. O Dr. Russel Shedd em sua Bíblia de Estudo, nos oferece uma explicação clara e ponderada desta situação: “Não é que Deus força os homens a se rebelarem contra Ele, mas nos fez de tal maneira que, cada vez que rejeitamos parte da vontade divina para nossas vidas; mais difícil se torna para nós termos fé, amor e obediência para abraçar a próxima revelação do que Deus deseja de nós. Este resultado inevitável da desobediência á parte da Lei de Deus, e, por isso, é Deus que o faz (Rm. 1: 18-27)[1]. Como os cidadãos de Roma que negligenciaram a revelação de Deus, Faraó de igual modo agiu. Por isto, Deus entregou Faraó aos seus próprios caminhos e vontades, ficando sem a oportunidade de receber a graça de Deus para o seu arrependimento. Shedd ainda enfatiza: “O endurecimento, é um salário do pecado da rebelião contra a mensagem de Deus, lentamente tirando do incrédulo a capacidade de se converter. É por isto que cada pessoa que escuta o convite do evangelho nunca deve protelar a sua aceitação da salvação que Cristo oferece a todo aquele que crer[2].

Os que acreditam na predestinação para perdição eterna, utilizam o texto de Romanos 9: 22 como alicerce para a eleição fatalista. O texto diz: “Que diremos, pois, se Deus, querendo mostrar a sua ira e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita longanimidade os vasos de ira, preparados para a perdição”. Porém, a expressão “suportou com muita longaminidade”, nos revela que Deus manteve uma relação direta (revelação especial) ou indireta (revelação geral) com estas pessoas. Ainda em sua Bíblia de Estudo, Shedd afirma: “Ainda que não seja tolerado queixar-se contra o direito que Deus tem de fazer o que lê bem entender com os Seus, a ênfase desta passagem está na misericórdia de Deus que agüenta a maldade dos homens diferindo Sua ira por muito tempo (cf. 2 Pd. 3: 7-9)”[3]. Antes que estes vasos pudessem se tornado vasos de ira, Deus havia se revelado a eles. Porém, pelo endurecimento dos seus corações, se tornaram vasos de ira, para que Deus pudesse “mostrar a sua ira e dar a conhecer o seu poder”. Assim como a estadia de Israel no deserto serve de exemplo para a nossa conduta (I Co. 10: 5,6). Estes vasos de ira servem para “que (Deus) também desse a conhecer as riquezas da sua glória em vasos de misericórdia” (Rm. 9: 23).

Enfim, “Deus não nos destinou para a ira, mas para alcançar a salvação mediante nosso Senhor Jesus Cristo”. Muitos experimentam a graça da salvação, mas nenhum indivíduo pode experimentar a perdição eterna por eleição. “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo. 3:16). O homem é destinado à perdição eterna mediante a sua desobediência ao chamado de seu Criador.
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[1] Bíblia de Estudo Russel Shedd. Comentário de rodapé do livro de Êxodo, cp 4 vs 21. Pg. 78.
[2] Bíblia de Estudo Russel Shedd. Comentário de rodapé do livro de Êxodo, cp 7 vs 3. Pg. 81.
[3] Bíblia de Estudo Russel Shedd. Comentário de rodapé da Carta aos Romanos, cp 9 vs 22. Pg. 1595.

 

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Sobre o autor: Vitor Hugo da Silva, 27 anos; Um cristão que vive diariamente o velho dilema Paulino: "Miserável homem que sou!". Estudante de teologia no Centro Evangélico de Educação e Cultura - CEEDUC. Casado com Juliana, e papai da Gabriela. Serve como presbítero na Igreja Evangélica Assembléia de Deus de Joinville; congregação do Porto Rico.

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  1. Muito bom o estudo Vitor. Shedd é o cara mano. Curto muito o velinho.Continue com assuntos pertinentes assim mano, Deus não nos criou para o inferno, mas sim para vivermos com Ele. Maldito pecado que nos distancia de Deus.Ao meu ver as 2 teólogos estavam certos em partes, Arminio e Calvino, porem precisamos de um equilibrio entre as 2 teologias. Te amo mano, saudades brother. Um beijo na rainha da sua casa e na princezinha tb. Até mais.

  2. Davi disse:

    Opa, tô chegando no site ….
    Mas só um raciocínio: Se a eleição dos santos é certa – como de fato é -, como não poderia ter a eleição dos ímpios? Se Deus chama somente alguns, logo, Ele não chama outros.?
    :/

  3. Neander, meu grande amigo! Também admiro e muito o pastor Shedd. Não o conheço pessoalmente, porém em seus escritos e palestras, parece-nos um homem muito ponderado e extremamente sábio.

    Um abraço!

  4. Olá Davi!

    Obrigado por sua visita ao site. Não esqueça de colocá-lo entre seus favoritos (risos).

    Esta é uma questão muito discutida entre Arminianos e Calvinistas. O fato é que Deus escolheu toda a humanidade para ser salva; todos os seres humanos: “porque Deus não nos destinou para a ira, mas para alcançar a salvação mediante nosso Senhor Jesus Cristo” (I Ts. 5: 9). Como acredito no livre arbítrio, pois não consigo admitir ou enxergar um amor sem uma livre escolha, proponho que muitos escolheram o não servir a Deus. Enquanto outros, de livre e espontânea vontade escolheram servir a Deus. Parece simplista minha resposta, mas é desta forma que vejo e acredito.

    “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo. 3:16).

    Não consigo enchergar amor em alguém que crie algo para o destruir mais tarde, para queimá-lo no fogo eterno, sem a chance de reconciliação. Não creio no fatalismo determinista.

    Mas veja bem, muitos calvinistas conseguem enxergar o amor de Deus nesta eleição fatalista.

    Não sei se consegui lhge explicar algo que pudesse contribuir com sua espiritualidade. Porém, fique a vontade em perguntar…

    Um abraço Davi!

  5. BibO disse:

    é meu amigo Vítor, assunto complicado, complicadíssimo na verdade. Eu fico com Lutero e em breve publico alguma coisa por aqui!

  6. BibO disse:

    Ah, e DAVI, seja bem vindo, fuçe o portal pq tem muita coisa boa!

  7. Quando mais distantes da graça, mais difícil de avistar o porto. Por isso que medimos nossas ações por discernimento do Espírito Santos, quem está fora desta visão não consegue ver o erro e se afunda ainda mais.
    Não que seja predestinado a perdição, mas por não ter uma base para notar o erro, apesar da Lei estar intrínseca em todo ser humano.

  8. Davi disse:

    Valeu, vo fuça e colocar nos favoritos.
    Ainda não sei muita coisa. Queria saber de mais argumentos arminianos. ;-)
    O problema é ler a Bíblia e ver:
    “21 O oleiro não tem direito de fazer do mesmo barro um vaso para fins nobres e outro para uso desonroso?
    22 E se Deus, querendo mostrar a sua ira e tornar conhecido o seu poder, suportou com grande paciência os vasos de sua ira, preparados para a destruição?” (Romanos 9:21-22) E ainda outros textos como você(s) já devem ter lido.

    Acho que a eleição é como na história de Ló. (Genesis 19:15,16)

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