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	<title>formulados.com.br &#187; Ahh Tahh!</title>
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		<title>Respondendo à ouvinte</title>
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		<pubDate>Sat, 27 Feb 2010 19:33:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rodrigo_aquino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ahh Tahh!]]></category>
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		<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Ontem durante o programa surgiu uma dúvida que não soube responder na hora, pois não gosto de responder sem ter certeza. Segue aí a resposta!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://educar.files.wordpress.com/2008/04/duvida.jpg"><img class="alignleft" style="margin: 2px;" src="http://educar.files.wordpress.com/2008/04/duvida.jpg" alt="" width="174" height="131" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Ontem começamos uma série na seção Na Lata do programa (aguarde o podcast) chamada Sete Pecados Capitais. No primeiro episódio da série fizemos uma abordagem geral sobre o pecado. E durante o bate papo uma ou ouvinte fez uma pergunta que eu não soube responder. Segue a dúvida dela e uma possível resposta: </p>
<p style="text-align: justify;">Ela queria entender a seguinte passagem da primeira carta de João 5.16-17: “<em><strong>Se alguém vir seu irmão cometer pecado que não leva à morte, ore, e Deus dará vida ao que pecou. Refiro-me àqueles cujo pecado não leva à morte. Há pecado que leva à morte; não estou dizendo que se deva orar por este; Toda injustiça é pecado, mas há pecado que não leva à morte</strong></em>” (NVI).  </p>
<p style="text-align: justify;">A resposta é mais simples do que imaginava. O Novo Testamento só conhece um pecado imperdoável, pecado que leva a morte: a blasfêmia contra o Espírito Santo, ou seja, aquele que atrinui a obra de Deus ao diabo e rejeita a ação do Espírito Santo (Mt. 12.31-32). Dentro do contexto da carta de João, o pecado imperdoável é não aceitar o diagnóstico de que somos pecadores e dependentes de Deus (1Jo 1.10) é não aceitar a mensagem do evangelho.  </p>
<p style="text-align: justify;">O pecado imperdoável então é negar a ação do Espírito Santo, e se a nego, não alcanço arrependimento, visto ser ele o agente da metanóia, é ele que nos convence do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16.8). </p>
<p style="text-align: justify;">Espero que tenha ficado maninha e a todos que leram, caso ainda fique com dúvidas, basta entrar em contato: <a href="mailto:bibo@formulados.com.br">bibo@formulados.com.br</a>.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Forte Abraço! </p>
<p style="text-align: justify;">Por Rodrigo “Bibo” de Aquino.</p>
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		<title>Miojo Exegético</title>
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		<pubDate>Mon, 11 Jan 2010 11:51:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rodrigo_aquino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ahh Tahh!]]></category>
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		<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>

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		<description><![CDATA[“Porque na presença de Deus até há tristeza salta de alegria”. Será mesmo na presença de Deus?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.formulados.com.br/v2/wp-content/uploads/2010/01/leviathan.jpg"><img class="alignright size-thumbnail wp-image-2528" title="leviathan" src="http://www.formulados.com.br/v2/wp-content/uploads/2010/01/leviathan-150x150.jpg" alt="leviathan" width="150" height="150" /></a>Quem frequenta uma igreja pentecostal a mais de cinco anos, provavelmente já escutou o jargão: “Porque na presença de Deus até há tristeza salta de alegria”. Quando ouvi a primeira vez esse versículo, achei-o lindo e poético. Quando o culto acabou perguntei ao pregador o endereço dessa passagem bíblica, ele me disse que estava no livro de Jó, mas não lembrava exatamente onde. </p>
<p>Como sou daqueles que não aguentam ficar com dúvidas, fui pesquisar. Cheguei no capítulo 41 versículo 22<a href="http://www.formulados.com.br/v2/wp-admin/#_ftn1">[1]</a>&#8230; </p>
<p>Uma rápida olhada no contexto do versículo em questão nos revela algo interessante: Não é na presença de Deus que a tristeza salta de alegria/prazer, mas do Leviatã/monstro marinho/(crocodilo?). No poema anterior, também aparece um animal, o Beemot, onde as descrições apontam hiperbolicamente para um hipopótamo.<a href="http://www.formulados.com.br/v2/wp-admin/#_ftn2">[2]</a> </p>
<p>No terceiro poema que compõem o segundo discurso de Javé a Jó é que encontramos essa figura, o Leviatã. Tanto na descrição do Beemot como na do Leviatã, aparecem características que vão além do reino animal, nos levando a crer que a intenção do autor ao colocar esses dois seres nos discursos de Javé é apontar para outra realidade, pois no discurso anterior Javé já havia se revelado como Senhor dos animais. </p>
<p>Nessa teofania Javé está mostrando a Jó que é Senhor sobre todas as coisas, inclusive desses dois monstros, que aqui provavelmente simbolizam as forças do mal. Nas palavras de Ternay: </p>
<p>“Quanto mais progredimos na leitura dessa poema mais se torna evidente que o mosntro não é um simples crocodilo. O Leviatã é descrito aqui com feições que supõem uma mitologia lírica do mal cósmico, o que permite ao autor utilizar esta figura como um símbolo das forças do mal atuando na história, presente na humanidade”.<a href="http://www.formulados.com.br/v2/wp-admin/#_ftn3">[3]</a> </p>
<p>Bem, muitas outra coisas poderiam ser escritas, mas como é só um miojo, vamos parando por aqui. O que fica claro é que esse versículo é erroneamente utilizado pelos pregadores que dele se apropriam, pois em nenhum momento Leviatã é sinônimo de Javé, pelo contrário, é hostil a Ele. </p>
<p>Bem, da próxima vez que ouvirem o jargão, orientem o pregador a ler o capítulo inteiro.</p>
<p> </p>
<hr size="1" /><a href="http://www.formulados.com.br/v2/wp-admin/#_ftnref1">[1]</a> Bíblia de Jerusalém – Em seu pescoço reside a força, diante dele corre o pavor. Bíblia do Peregrino – Em seu pescoço se assenta a força, diante dele dança o terror.</p>
<p><a href="http://www.formulados.com.br/v2/wp-admin/#_ftnref2">[2]</a> SCHÖKEL, Luís Alonso.<strong> Bíblia do Peregrino.</strong> 2 ed. São Paulo: Paulus, 2006. p. 1142.</p>
<p><a href="http://www.formulados.com.br/v2/wp-admin/#_ftnref3">[3]</a> TERNAY, Henri de. <strong> O livro de Jó: </strong>da provocação à conversão, um longo processo. Petrópolis: Vozes, 2001. p. 299-307.</p>
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		<title>Como Deus é chamado no NT?</title>
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		<pubDate>Tue, 15 Dec 2009 20:25:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rodrigo_aquino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ahh Tahh!]]></category>
		<category><![CDATA[bibo]]></category>
		<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu recebi a pergunta de um formulado, achei interessante, pois de "prima" não sabia a resposta, foi necessário algumas horas e muitas páginas, a síntese da pesquisa você confere no post, vale a pena!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A seção Ahh Tahh está de volta! </p>
<p style="text-align: justify;">Eu recebi a seguinte pergunta de um formulado, segue na íntegra: </p>
<p style="text-align: justify;">“No AT o nome de Deus é escrito YHVH, de fato é o nome de Deus. João Ferreira de Almeida traduz (troca) a palavra por SENHOR enquanto a Tradução do Novo Mundo traduz a palavra por Jeová&#8230;<br />
Até aí tudo bem. Mas, no NT JFA continua usando o SENHOR e NM continua usando &#8220;Jeová&#8221;, mas, sei que o tetragrama só é usado no AT, Deus é chamado de quê no Novo Testamento, qual é a palavra usada e qual seria a tradução que chega mais próximo?”</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Muito boa essa pergunta, vamos tentar uma resposta:</em> </p>
<p style="text-align: justify;">Deus no NT é chamado simplesmente de Deus (<em>Theós </em>gr.). Por quê? Na fé israelita primitiva não se negava a existência de outros deuses, por exemplo, o primeiro mandamento não nega, só conclama para a adoração exclusiva a Javé. Logo, aceitando a idéia de outros deuses, é necessário diferenciar e distinguir o Deus (<em>El</em> heb.) de Israel, Javé. No decorrer da sua compreensão acerca de Deus, Israel aniquilou a existência de outros deuses (Is 45 etc.). Bultmann diz que no monoteísmo juda<a href="http://www.formulados.com.br/v2/wp-content/uploads/2009/12/jave.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-2466" title="jave" src="http://www.formulados.com.br/v2/wp-content/uploads/2009/12/jave-200x148.jpg" alt="jave" width="200" height="148" /></a>ico do tempo de Jesus “o nome próprio de Deus, Javé, se perdeu, pois ele só fazia sentido enquanto Deus aparecia como sujeito entre outros, sendo necessário diferenciá-lo dos demais por meio de um nome determinado”.<a href="http://www.formulados.com.br/v2/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141#_ftn1">[1]</a></p>
<p style="text-align: justify;">Na tradução grega do AT, a Septuaginta (LXX) o tetragrama YHVH (<em>Iahweh</em>)<a href="http://www.formulados.com.br/v2/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141#_ftn2">[2]</a> é traduzido por <em>Kyrios</em> (Senhor), por isso JFA traduz tanto o tetragrama do AT como Kyrios do NT com SENHOR. Mas tem algo importante nesse título Kyrios, pois ele é atribuído a Jesus Cristo no NT, logo, o nome de Deus na aliança do AT é ocupado pelo Cristo no NT. Como diz Ladd: “O Jesus exaltado ocupa o papel do próprio Deus no governo do mundo”.<a href="http://www.formulados.com.br/v2/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141#_ftn3">[3]</a></p>
<p style="text-align: justify;"> <strong>Algumas notas sobre o nome de Deus – <em>Iahweh</em></strong><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Segundo a concepção antiga, o nome não constituía apenas som e fumaça, mas entre o nome e o seu portador subsistia uma mútua relação que denotava a sua característica natural, isto é, o nome contém uma expressão da natureza do seu portador ou, pelo menos, de algo do seu potencial inerente. Deus revela seu nome como um alento num momento de crise e desespero. Deus Revelou seu nome para Moisés num momento de extrema dificuldade.<a href="http://www.formulados.com.br/v2/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141#_ftn4">[4]</a></p>
<p style="text-align: justify;">O nome de Deus, <em>Iahweh</em>, assemelha-se à expressão Eu sou em hebraico (Ex 3.14), ou seja, relaciona-se com o verbo hebraico “ser”, verbo que não significa simplesmente “existir”, mas antes “estar ativamente presente”, tem o sentido de uma presença relacional e atuante. Deus, dá a conhecer o seu nome ao povo, pretendendo lhes revelar seu caráter mais íntimo. <em>Iahweh</em> é o Deus ativamente presente entre o seu povo, nome revelado no momento em que o povo mais precisava (Ex 3; 33.19).</p>
<p style="text-align: justify;">Então, a tradução mais próxima do sentido do nome de Deus não seria EU SOU O QUE SOU, mas EU ESTAREI PRESENTE QUANDO VOCÊS PRECISAREM, isto é, me transformarei naquilo que precisam! Pois “Ser” no AT. não significa um ser em si absoluto, mas antes, um “estar aí/presente/atuante” ou até um “revelar-se como auxiliador”. “Resumindo, a interpretação mais simples é [...] de acordo com Ex 3.14: ele ‘é/se mostra/atua’”<a href="http://www.formulados.com.br/v2/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141#_ftn5">[5]</a></p>
<p style="text-align: justify;">            Jesus Cristo identifica-se com o nome em Jo 8.59, Ele é o próprio Eu Sou encarnado! Deus vem ao encontro da humanidade em Cristo, se revelando e se mostrando atuante como nunca antes na história da salvação!</p>
<address><a href="http://www.formulados.com.br/v2/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141#_ftnref1">[1]</a> BULTMANN, R. <strong>Jesus.</strong> São Paulo: Teológica, 2005. p. 144.</address>
<address><a href="http://www.formulados.com.br/v2/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141#_ftnref2">[2]</a> Jeová ou Javé, são a latinização de Iahweh, que é o tetragrama vocalizado (YHWH).</address>
<address><a href="http://www.formulados.com.br/v2/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141#_ftnref3">[3]</a> LADD, G. E. <strong>Teologia do Novo Testamento.</strong> São Paulo: 2003. p. 575.</address>
<address><a href="http://www.formulados.com.br/v2/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141#_ftnref4">[4]</a> ALEXANDER, D. P. (org.) <strong>O mundo da Bíblia.</strong> 2. ed. São Paulo: Paulinas, 1985.</address>
<address><a href="http://www.formulados.com.br/v2/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141#_ftnref5">[5]</a> SCHMIDT, Werner H. <strong>A fé do Antigo Testamento.</strong> São Leopoldo: Sinodal, 2004. p. 104.</address>
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		<title>Wittenberg e Azusa na volta às origens</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Oct 2009 02:30:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rodrigo_aquino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ahh Tahh!]]></category>
		<category><![CDATA[bibo]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
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		<category><![CDATA[martinho lutero]]></category>

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		<description><![CDATA[IV Fórum de Pentecostalidade e Reforma, que acontecerá no CEEDUC nos dias 26 a 28 de outubro de 2009 a partir das 19h00.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.formulados.com.br/v2/wp-content/uploads/2009/10/biblia-sagrada.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-1931" title="biblia-sagrada" src="http://www.formulados.com.br/v2/wp-content/uploads/2009/10/biblia-sagrada-150x150.jpg" alt="biblia-sagrada" width="150" height="150" /></a>Estamos no mês onde tradicionalmente se comemora a Reforma Protestante, evento desencadeado no dia 31 de outubro de 1517, após Lutero fixar 95 teses contra as indulgências e outros desvios teológicos da igreja na época. No intuito de valorizar esse evento, o CEEDUC|Centro Evangélico de Educação e Cultura está promovendo a quarta edição do Fórum de Pentecostalidade e Reforma. Essa semana gira em torno do possível diálogo desses dois movimentos que tinham e tem algo em comum: servir ao Reino de Deus voltando às origens, voltando-se para o NT. Todos concordam que uma reforma se faz necessária, ou melhor, que uma volta aos princípios da Reforma urge! </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>A Reforma</strong></p>
<p style="text-align: justify;">É bem verdade que Lutero não pretendia deflagrar um movimento com as 95 teses, antes, esclarecer uma questão que afetava diretamente a espiritualidade de seus paroquianos: a indulgência. O reformador só queria como teólogo e cura d’almas, zelar pela correta doutrina e pregação da Igreja.<a href="http://www.formulados.com.br/v2/wp-admin/#_ftn1">[1]</a> Contudo, abalou os fundamentos medievais de seu tempo e abriu novos horizontes na política, na economia, na educação, etc. A Reforma, de certa forma, é uma volta as origens, é a busca pela centralidade de Cristo, da fé, da graça e das Escrituras.</p>
<p style="text-align: justify;"> <strong>O Pentecostalismo</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O pentecostalismo enquanto outro movimento do Espírito, organiza-se em 1901 em Topeka e rompe fronteiras com a rua Azusa. O pentecostalismo é também uma volta às origens, e ainda que não reconheça, deve sua existência a Reforma. Sua convicção de ser um resgate as origens é tão intenso que praticamente despreza toda a história eclesiástica que vem atrás de si, dando importância somente as Escrituras, o que é muito bom, e ruim, pois não podemos negar o rastro da história, daqueles que procuraram viver a escritura antes de nós. </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Busca Comum</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Penso que Wittenberg e Azusa são duas tentativas de volta às origens, é claro, com ênfases diferentes. Mas a idéia que perpassa os dois movimentos é a mesma: um cristianismo limpo de tradicionalismos e invenções humanas. Mas como todo movimento que surge na história da igreja, sua força inicial é amenizada surgindo sempre um grupo que tenta voltar às origens, que embalaram o início do movimento. Tanto igrejas reformadas como pentecostais sempre de novo, procuram voltar as origens. </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Não precisamos de uma nova reforma</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Com tanta história atrás de nós, marcadas por erros e acertos, creio que não precisamos fazer uma nova reforma, devemos sim, resgatar os princípios bíblicos e as balizas defendidas pela Reforma Protestante do séc. 16, e a busca pelo poder do Espírito Santo difundido pelo movimento pentecostal do séc. 20. Mesmo que estejamos no séc. 21, esses princípios são atuais, visto a história ser cíclica. Prova de que devemos resgatar a história a inventar algo novo, são os ranços da Idade Média que estão presentes na igreja hodierna. Tanto reformados luteranos como pentecostais se perderam, em grande medida, nos becos da história e precisam achar o caminho de volta. O ideal seria se ambos os movimentos andassem de mãos dadas, um aprendendo com o outro, resgatando o que cada um tem de melhor. </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Considerações finais</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Sinceramente? Dando uma rápida olhada para os herdeiros da reforma e do movimento pentecostal tal resgate parece impossível. De um lado, generalizando, temos os reformados, que se engessam numa liturgia sem vida e cor e uma teologia fechada em si mesma, de outro, os pentecostais, que dando fruto à imaginação inventam modismos atrás de modismos, transformando esoterismo em cristianismo em nome de Jesus Cristo. Mas nem tudo está perdido certo? Pois ainda temos: reformados que crêem que a academia pode se relacionar com a ação do Espírito e, pentecostais que valorizam a teologia e reconhecem que “nem tudo cai do céu”. Nossa lição de casa é resgatarmos a história e não falarmos “latim” ao povo. E a educação pode ser um caminho nessa busca pelo caminho de volta para casa. </p>
<p style="text-align: justify;">PS &#8211; Reconheço que esse texto é incompleto diante de temas tão profundos, contudo, seu objetivo era uma pequena reflexão para divulgar a IV Fórum de Pentecostalidade e Reforma, que acontecerá no CEEDUC nos dias 26 a 28 de outubro de 2009.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Maiores informações no 3466 0058 ou fala com a gente!!! E clique na imagem para ler as informações, pois eu não sei mexer nesse trem direito&#8230;</em></p>
<p><a href="http://www.formulados.com.br/v2/wp-content/uploads/2009/10/Cartaz%20F%F3rum%202009.jpg"></a><a href="http://www.formulados.com.br/v2/wp-content/uploads/2009/10/Cartaz.jpg"></a></p>
<div id="attachment_1924" class="wp-caption alignleft" style="width: 160px"><a href="http://3.bp.blogspot.com/_CkxBHvQSMWY/SsyrK45F4cI/AAAAAAAAAYU/h5B2Jnnxi_g/s1600-h/Cartaz_F%C3%B3rum_2009.jpg"><img class="size-thumbnail wp-image-1924" title="Cartaz" src="http://www.formulados.com.br/v2/wp-content/uploads/2009/10/Cartaz-150x150.jpg" alt="clique na imagem para ler melhor" width="150" height="150" /></a><p class="wp-caption-text">clique na imagem para ler melhor</p></div>
<p> </p>
<p> </p>
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<p> </p>
<p> </p>
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<p> </p>
<hr size="1" /><a href="http://www.formulados.com.br/v2/wp-admin/#_ftnref1">[1]</a> DREHER, M. N. In: LUTERO, Martinho. <strong>Obras selecionadas: </strong>os primórdios escritos de 1517 a 1519. 2 ed. São Leopoldo: Sinodal, Porto Alegre: Concórdia, Canoas: Ulbra., 2004. v.1. p. 20.</p>
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		<title>31 de outubro de 1517</title>
		<link>http://formulados.com.br/v2/2009/31-de-outubro-de-1517/</link>
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		<pubDate>Thu, 01 Oct 2009 23:42:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rodrigo_aquino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ahh Tahh!]]></category>
		<category><![CDATA[Teste 3.16]]></category>

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		<description><![CDATA[Martinho Lutero afixa As noventa e cinco teses &#8220;Tão logo a moeda no cofre ressoa, a alma sai do purgatório.&#8221; Essa era a curta mensagem musicada de propaganda de João Tetzel, o homem autorizado a conseguir dinheiro para construir uma nova basílica em Roma. Seu esquema para o levantamento de fundos — a venda de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h1 style="text-align: justify;"><a href="http://www.formulados.com.br/v2/wp-content/uploads/2009/10/martinho_lutero_01.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1599" title="martinho_lutero_01" src="http://formulados.com.br/v1/wp-content/uploads/2009/10/martinho_lutero_01-300x291.jpg" alt="martinho_lutero_01" width="300" height="291" /></a>Martinho Lutero afixa As noventa e cinco teses</h1>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Tão logo a moeda no cofre ressoa, a alma sai do purgatório.&#8221; Essa era a curta mensagem musicada de propaganda de João Tetzel, o homem autorizado a conseguir dinheiro para construir uma nova basílica em Roma. Seu esquema para o levantamento de fundos — a venda de indulgências — era, simplesmente, a venda do perdão. &#8220;Faça com que os seus entes queridos, que já partiram, saiam do purgatório por uma pequena taxa e ganhe algum crédito adicional para os seus pecados.&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">A corrupção reinava na igreja. Os cargos eclesiásticos eram comprados por nobres ricos e usados para alcançar mais riqueza e mais poder. Um desses nobres foi Alberto de Brandemburgo, que pedira dinheiro emprestado para se tornar arcebispo de Mainz e que precisava encontrar um modo de pagar seu empréstimo. O papa autorizou a venda de indulgencias na região de Alberto, contanto que metade do dinheiro coletado fosse usada para a construção da Basílica de São Pedro em Roma. O restante do valor levantado iria para Alberto. Todos estavam felizes, a não ser certo número de alemães devotos, dentre os quais estava Martinho Lutero.</p>
<p style="text-align: justify;">Tetzel, monge dominicano e pregador bastante popular, tornou-se o comissário das indulgências. Ele viajava de cidade em cidade, proclamando seus benefícios: &#8220;Ouça a voz de seus entes queridos e amigos que já morreram, suplicando-lhes e dizendo: &#8216;Tenha pena de nós, tenha pena de nós. Estamos passando por tormentos horríveis dos quais você pode nos redimir, contribuindo com uma pequena esmola&#8217;. Vocês não desejam fazer isso?&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Lutero, sacerdote e professor de Wittenberg, opunha-se totalmente à venda das indulgências. Quando Tetzel chegou àquela localidade, Lutero redigiu uma lista de 95 queixas e a afixou na porta da igreja, que também servia como quadro de avisos da comunidade. O perdão divino certamente não poderia ser comprado e vendido, dizia Lutero, uma vez que Deus o oferece gratuitamente.</p>
<p style="text-align: justify;">As indulgências, porém, eram apenas a ponta do <em>iceberg. </em>Lutero se rebelava contra toda a corrupção da igreja e pressionava para que uma nova compreensão da autoridade do papa e das Escrituras fosse adotada. Tetzel saiu logo de cena (morreu em 1519), mas Lutero prosseguiu, vindo a liderar uma revolução religiosa que mudou radicalmente o mundo ocidental.</p>
<p style="text-align: justify;">Lutero nasceu em 1483, em uma família de camponeses em Eisleben, Alemanha. Seu pai, um mineiro, levou-o a estudar Direito, enviando-o à Universidade de Erfurt. Contudo, o fato de ele ter sido poupado da morte quando um raio caiu muito próximo dele fez com que Lutero mudasse de idéia. Ele entrou para um mosteiro agostiniano em 1505, tornando-se sacerdote em 1507. Reconhecendo suas habilidades acadêmicas, seus superiores o enviaram para a Universidade de Wittenberg a fim de que obtivesse o diploma em Teologia.</p>
<p style="text-align: justify;">A inquietação espiritual que atormentava outros grandes cristãos, ao longo de todas as eras, também influenciou Lutero. Ele estava profundamente consciente do próprio pecado, da santidade de Deus e de sua total incapacidade de obter o favor divino. Em 1510, Lutero viajou para Roma e ficou desiludido com o tipo de fé mecânica que encontrou ali. Fez tudo o que pôde para ser verdadeiramente piedoso. Subiu, até mesmo, a escada de Pilatos, em que Cristo supostamente caminhou. Lutero orava e beijava cada degrau à medida que prosseguia, mas, mesmo ali, suas dúvidas ainda fervilhavam.</p>
<p style="text-align: justify;">Poucos anos depois, voltou para Wittenberg como doutor em Teologia, para ensinar disciplinas relacionadas à Bíblia. Em 1515, começou a lecionar sobre a epístola de Paulo aos Romanos. As palavras de Paulo consumiram a alma de Lutero.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Minha situação era que, apesar de ser um monge impecável, eu me punha diante de Deus como um pecador perturbado por minha consciência e não tinha confiança de que meus méritos poderiam satisfazê-lo&#8221;, escreveu Lutero.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Noite e dia eu ponderava, até que vi a conexão entre a justiça de Deus e a afirmação de que Ό justo viverá pela fé&#8217;. Então, entendi que a justiça de Deus é a retidão pela qual a graça e a absoluta misericórdia de Deus nos justificam pela fé. Em razão dessa descoberta, senti que renascera e entrara pelas portas abertas do paraíso. Toda a Escritura passou a ter um novo significado [...] esta passagem de Paulo tornou-se, para mim, o portão para o céu&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim, mais confiante em suas crenças e com algum apoio de seus colegas, Lutero sentiu-se livre para falar contra a corrupção. Ele já criticava a venda de indulgências e a adoração das relíquias mesmo antes de Tetzel aparecer em sua região. Tetzel simplesmente fez com que o conflito alcançasse uma posição de destaque. <em>As noventa e cinco teses </em>de Lutero eram profundamente restritas, caso consideremos a sublevação que provocaram. Afinal, eram apenas um convite ao debate.</p>
<p style="text-align: justify;">Ele realmente conseguiu um debate, primeiramente com Tetzel e, mais tarde, com o renomado estudioso João Eck, que acusou Lutero de heresia. No primeiro momento, parecia que Lutero esperava que o papa concordasse com ele sobre o abuso na questão das indulgências. Conforme a controvérsia continuou, Lutero, porém, solidificou sua oposição ao papado. Em 1520, o papa emitiu uma bula (decreto) condenando as idéias do monge alemão, e Lutero a queimou. Em 152 1, a Dieta (concilio) de Worms ordenou que Lutero se retratasse. Ali, segundo a lenda, Lutero afirmou: &#8220;Não posso fazer outra coisa. Aqui estou. Deus me ajude. Amém&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Depois disso, Lutero foi excomungado, e seus escritos foram banidos. Para sua proteção, foi levado à força por seu patrono Frederico, o Sábio, e ficou escondido no castelo de Wartburg. Ali, ele trabalhou em outros escritos teológicos e na tradução do Novo Testamento para o alemão popular.</p>
<p style="text-align: justify;">Contudo, a batalha apenas começava. Quando ousou fazer oposição ao papa, Lutero despertou os sentimentos de independência tanto nos nobres alemães quanto no povo em geral. A Alemanha se tornou uma colcha de retalhos, à medida que alguns nobres apoiaram Lutero e outros permaneceram leais a Roma. A Reforma já estava em preparação também na Suíça, liderada por Ulrico Zuínglio. A igreja e o Sacro Império Romano voltaram sua atenção para as batalhas políticas que se estenderam por toda a década de 1520. Quando decidiram agir de forma enérgica contra os reformadores, já era tarde demais.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma reunião realizada na cidade de Augsburgo, em 1530, chegou perto de fazer com que a causa luterana voltasse a ficar sob a tutela romana. Filipe Melâncton, amigo de Lutero, preparou uma afirmação conciliatória das idéias de Lutero, apresentando seu ponto de vista como um posicionamento fiel ao catolicismo histórico. Porém, o concilio católico exigiu concessões que Lutero não faria, e a ruptura se tornou definitiva.</p>
<p style="text-align: justify;">Em retrospecto, parece que os acontecimentos da Reforma devem muito à personalidade única de Lutero. Se não fosse sua dúvida profunda, talvez jamais tivesse garimpado as verdades das Escrituras como fez. Sem seu zelo pela justiça, talvez nunca afixasse seu protesto na porta da catedral. Sem sua impetuosidade, talvez jamais atraísse um número significativo de seguidores. Ele viveu em um tempo propício às mudanças e era o homem indicado para fazer com que acontecessem.</p>
<p style="text-align: justify;">Fonte:  Os 100 Acontecimentos mais importantes da história do Cristianismo: Do incêndio de Roma ao crescimento da igreja na China.  A. Kenneth Curtis; J. Stephen Lang; Randy Petersen. Editora Vida.</p>
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		<title>Dois ou Três, final&#8230;</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Sep 2009 20:47:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rodrigo_aquino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ahh Tahh!]]></category>
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		<description><![CDATA[Breve análise semântica de termos antropológicos em Paulo.  Para compreendermos melhor essa questão sobre a tricotomia ou dicotomia, que foi nosso assunto anterior, vamos analisar brevemente alguns termos centrais na antropologia paulina. Por quê antropologia do apóstolo Paulo? Porque nos seus escritos a antropologia está mais elaborada e são em seus textos que os teóricos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong><a href="http://www.formulados.com.br/v2/wp-content/uploads/2009/09/interrogação.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-1586" title="interrogação" src="http://formulados.com.br/v1/wp-content/uploads/2009/09/interrogação-150x150.jpg" alt="interrogação" width="150" height="150" /></a>Breve análise semântica de termos antropológicos em Paulo.</strong> </p>
<p style="text-align: justify;">Para compreendermos melhor essa questão sobre a tricotomia ou dicotomia, <a href="http://ocioteologico.blogspot.com/2009/09/dicotomia-ou-tricotomia.html" target="_blank">que foi nosso assunto anterior</a>, vamos analisar brevemente alguns termos centrais na antropologia paulina. Por quê antropologia do apóstolo Paulo? Porque nos seus escritos a antropologia está mais elaborada e são em seus textos que os teóricos buscam fundamentação para suas doutrinas. Por isso, é de extrema importância essa análise semântica. </p>
<p style="text-align: justify;">&#8211;&gt; <strong><em>soma/</em>corpo</strong>: o corpo é um termo central na antropologia de Paulo. A dificuldade na compreensão desse termo grego é que não existe um correspondente hebraico direto. A palavra <em>soma</em> utilizada por Paulo e escritos do Novo Testamento, é a tentativa de se traduzir uma variedade de termos hebraicos, sem, contudo, ter uma equivalência com eles. No AT, o termo que possui envergadura teológica e no qual se embasa o pensamento paulino é o termo <em>basar</em> (<em>carne</em>), sendo que, a partir dele, a Septuaginta abra caminho aos termos <em>carne e corpo</em>. <a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftn1">[1]</a> Ao surgir a pergunta, como os hebreus expressam numa palavra o que os gregos expressam duas, John Robinson afirma que a resposta se encontra nos pressupostos presentes nos sistemas de pensamento de ambas as culturas. O pensamento grego é organizado sob antagonismos: <em>matéria </em>e<em> forma</em>, o <em>um</em> e o <em>múltiplo, corpo</em> e <em>alma</em>. Robinson diz que tem-se a noção de que o corpo é limite ou separação dos outros corpos ou objetos. Desta forma, “soma, em oposição a sarx, é o princípio de individuação, o que distingue e separa um homem de outrem”<a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftn2">[2]</a>.  </p>
<p style="text-align: justify;">Já no pensamento hebraico, que não é dualista, enxerga-se a realidade como totalidade, onde “basar significa toda substância (realidade) vivente dos homens e dos animais organizada numa forma corporal”; “A idéia hebraica de personalidade [...] é a de um corpo animado, e não a de uma alma encarnada [...]. O ser humano não <em>tem</em> um corpo, ele <em>é</em> um corpo. Ele é carne-animada-por-uma-alma, sendo concebida a totalidade como uma unidade psico-física.” <a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftn3">[3]</a> </p>
<p style="text-align: justify;">Com base nisso, pode-se então afirmar que para Paulo, <em>soma</em> tem um sentido de pessoa<a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftn4">[4]</a>, onde a existência humana, mesmo na esfera do “espírito”, é uma existência corporal, somática. Logo, <em>soma</em> não é meramente um meio de expressão, mas a pessoa total.<a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftn5">[5]</a> Bultmann afirma que o ser humano não tem um <em>soma</em>, ele é um <em>soma</em>.<a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftn6">[6]</a>. Dunn acredita que o conceito de corpo em Paulo é maior do que o de corpo físico, por isso sugere <em>soma</em> como corporificação de toda pessoa.  </p>
<p style="text-align: justify;">“Nesse sentido <em>soma</em> é conceito relacional. Denota a pessoa corporificada em determinado ambiente. É o meio para viver no ambiente, para experimentá-lo [...] <em>soma</em> como corporificação significa mais que mero corpo: é o ‘eu’ corporificado, o meio com o qual ‘eu’ e o mundo agimos um sobre o outro.”<a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftn7">[7]</a></p>
<p> Segundo Dunn, o que chama atenção é a distinção que Paulo faz entre o corpo atual e o corpo da ressurreição, onde na redenção não se tem uma fuga da experiência corporal, mas transformação numa espécie diferente de existência corporal, não mais sujeita a corrupção e a morte.<a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftn8">[8]</a> “Aliás, somente a partir da ressurreição do <em>soma</em>, torna-se compreensível, não só a reivindicação exclusiva do <em>Senhor</em> sobre o homem todo, como também a incompatibilidade de ser membro de Cristo e se unir à meretriz”.<a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftn9">[9]</a></p>
<p>Para Paulo, <em>soma</em>, representa a humanidade criada como existência corporificada, onde por meio dessa corporificação a pessoa faz parte da criação e participa dela, tornando a dimensão social da vida humana possível.  </p>
<p style="text-align: justify;">&#8211;&gt; <strong><em>sarx/</em>carne: </strong>esse é outro termo fundamental na antropologia paulina. É um termo controverso, pois pode significar simplesmente a parte física do corpo até o sentido de “carne” como força hostil a Deus, como pecado. Essa gama de sentidos se dá pelo fato de que Paulo teve influências hebraicas e gregas.<a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftn10">[10]</a> Então, ora ele usa <em>sarx</em> com o sentido de corpo material, refletindo o termo hebraico <em>basar</em> (que representa o ser humano como um todo diferente de Deus), ora como “carne”, algo antagônico a Deus, refletindo a cultura helênica. Tanto que seu dualismo <em>carne x espírito</em> lembra Platão.<a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftn11">[11]</a> Teríamos que analisar texto por texto para sabermos quando Paulo emprega um sentido e quando emprega outro. Mas em síntese, podemos afirmar que <em>sarx</em> para Paulo representa o ser humano como criatura fraca, vulnerável, completamente dependente de Deus, bem como em oposição e em contradição com Deus e o Espírito de Deus. </p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://docs.google.com/fileview?id=0BzveVpwOG-WDYzYyYjhlM2MtM2NkNS00ZTdmLWFjNTYtMjQ5MWZhZThhYzFk&amp;hl=pt_BR" target="_blank"><em>Clique aqui para baixar um pequeno excurso sobre a relação soma e sarx</em> e <em>nous (inteligência) e kardia (coração).</em> É fundamental leres esse texto para ter sua visão ampliada sobre a compreensão do ser humano em Paulo. Texto retirado do livro, A Teologia do apóstolo Paulo, de James Dunn.  </a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>&#8211;&gt; <em>psyche/</em>alma</strong>: Paulo emprega esse termo no mesmo sentido do termo hebraico <em>néfesh</em>, ou seja, representa a vida toda da pessoa e não algo isolado do meu corpo como na compreensão grega. <em>Psyche</em> designa a pessoa a partir de determinado ponto de vista; o homem que pensa, trabalha e sente, ou a personalidade. Embora o corpóreo e o incorpóreo sejam distintos, a atividade dinâmica entre eles dá testemunho da unidade da pessoa. Para Paulo a <em>psyche </em>não é superior ao <em>soma</em>, apenas designa e salienta outro aspecto do ser.<a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftn12">[12]</a> <em>Psyche</em> denotando a pessoa é clara em muitas passagens (Rm 2.9; 13.1; 1Co 15.45; etc.), em outros lugares o sentido desloca-se para “vida” (Rm 11.3; Fl 2.30; etc) ou “vitalidade humana” (Cl 3.23; Ef. 6.6; etc.).<a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftn13">[13]</a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>&#8211;&gt;<em>pneuma: </em>e/Espírito</strong>: Paulo não considera o <em>pneuma</em> uma centelha divina (o verdadeiro eu) encarcerada no físico. A pessoa que, como espírito, experimenta a comunhão com Deus é um ser corpóreo. O <em>pneuma</em> assim como a <em>sarx</em> precisam ser purificados (2Co 7.1). Nada escapa das garras do pecado, nem o <em>pneuma</em>, logo, não pode ser algo divino em nós. Podemos voltar ao texto de 1Ts 5.23 onde Paulo parece dividir a pessoa em três partes. Mas a intenção de Paulo é exatamente o contrário: “Que o Deus&#8230; vos santifique totalmente (holísticamente)&#8230;”, longe de dividir a pessoa, Paulo expressa a esperança de que os crentes, mediante a obra santificadora de Deus, sejam salvos da desintegração e preservados como seres completos (<em>holos</em>). Ele junta os três termos (somente aqui) para enfatizar, não para definir.<a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftn14">[14]</a></p>
<p style="text-align: justify;">Uma dificuldade que encontramos com esse termo, a semelhança de <em>sarx</em>, é que o número de usos de <em>pneuma</em> significando espírito humano em Paulo é incerto, pois em muitas passagens não é claro se a referência é ao Espírito divino ou ao humano. De qualquer modo, é significativo que número de referências ao Espírito Santo supera em muito o das referências ao espírito humano. </p>
<p style="text-align: justify;">Em síntese, Dunn nos diz:</p>
<p style="text-align: justify;">&#8230;podemos dizer que a pessoa humana, de acordo com Paulo, é um ser que funciona dentro de várias dimensões. Como seres corporificados, somos sociais, definidos em parte pela nossa necessidade e nossa capacidade de entrar em relação, não como opcional extra, mas como dimensão da nossa própria existência. Nossa carnalidade atesta nossa fragilidade e fraqueza como meros humanos, a inevitabilidade de nossa morte, nossa dependência da satisfação dos apetites e dos desejos, nossa vulnerabilidade à manipulação desse apetites e desejos. Ao mesmo tempo, como seres racionais, somos capazes de alçar às maiores alturas do pensamento reflexivo. E como seres que sentem somos capazes das mais profundas emoções e da mais intensa motivação. Somos seres vivos, animados pelo mistério da vida como um dom, e há uma dimensão do nosso ser pela qual somos diretamente tocados pela realidade mais profunda dentro e além do universo. Paulo não duvidaria em dizer, grato e reconhecido, com o salmista: “Eu te celebro por tão grande prodígio, eu me maravilho com as tuas maravilhas (Sl 139.14)”.<a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftn15">[15]</a></p>
<p> </p>
<hr size="1" />
<address><a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftnref1">[1]</a> PUENTES REYES, Pedro A. <strong>O corpo como parâmetro antropológico na bioética.</strong> Tese de Doutorado. EST-INPG, Disponível em: &lt;http://www3.est.edu.br/biblioteca/btd/puentes_r_pa_td57.htm&gt; Acesso em: 03 maio 2007. p. 72. Puentes ressalta que “a totalidade humana como materialidade, pó, corpo, não é em si fonte do pecado e do mal. [...] Em Paulo os aspectos negativos da existência humana se devem à <em>sarx, </em>a carne, e não ao <em>soma</em>, o corpo.” Ibid., p. 101.</address>
<address><a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftnref2">[2]</a> John A. T. Robinson <em>apud</em>.: Pedro A. <strong>O corpo como parâmetro antropológico na bioética.</strong> Tese de Doutorado. EST-INPG, Disponível em &lt;http://www3.est.edu.br/biblioteca/btd/puentes_r_pa_td57.htm&gt; Acesso em: 03 maio 2007. p. 73.</address>
<address><a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftnref3">[3]</a> John A. T. Robinson. Loc. cit.</address>
<address><a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftnref4">[4]</a> Nunca de cadáver. Cf. DUNN, James. <strong>A teologia do apóstolo Paulo.</strong> São Paulo: Paulus, 2003. p. 86.</address>
<address><a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftnref5">[5]</a> WIBBING, S. corpo<strong><em> </em></strong><em>in:</em>COENEN, L. BROWN, C. <strong>Dicionário internacional de teologia do Novo Testamento.</strong> 2 ed. São Paulo: Vida Nova, 2000. p. 521.</address>
<address><a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftnref6">[6]</a> BULTMANN, Rudolf. <strong>Teologia do Novo Testamento. </strong>São Paulo: Teológica, 2004. p. 248.</address>
<address><a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftnref7">[7]</a> DUNN, James. <strong>A teologia do apóstolo Paulo.</strong> São Paulo: Paulus, 2003. p. 87.</address>
<address><a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftnref8">[8]</a> DUNN, James. op. cit., p. 92. Nesse sentido, entende-se o labor de Paulo em 1Co 15 afirmando a ressurreição do corpo. “A vida humana é inconcebível sem o corpo.” Cf. WIBBING, S. corpo<strong><em> </em></strong><em>in:</em>COENEN, L. BROWN, C. <strong>Dicionário internacional de teologia do Novo Testamento.</strong> 2 ed. São Paulo: Vida Nova, 2000. p. 522.</address>
<address><a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftnref9">[9]</a> WIESE, Werner. <strong>A importância da corporalidade na escatologia paulina: </strong>uma análise de textos paradigmáticos das cartas autênticas de Paulo. Dissertação de Mestrado. Sem. Teo. Batista do Norte do Brasil. Recife, PE. 1996. (Não publicado). p. 133.</address>
<address><a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftnref10">[10]</a> Segundo Bultmann, Paulo se opõe a algumas das noções apreciadas pelos gnósticos, como a depreciação do corpo, mas vê uma fenda tão profunda no homem, uma tensão tão grande no seu interior&#8230; que se aproxima do dualismo gnóstico. Embora ele utilize primordialmente <em>psychê</em> no sentido veterotestamentário de “vida ou pessoa”, seu uso do termo em sentido depreciativo em contraste com <em>pneuma</em> evidencia a influencia gnóstica. REASONER, M. In: HAWTHORNE, G. F. (org.) <strong>Dicionário de Paulo e suas cartas.</strong> São Paulo: Vida Nova/ Paulus/ Loyola, 2008. p. 1021-1033.</address>
<address><a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftnref11">[11]</a> DUNN, James. <strong>A teologia do apóstolo Paulo.</strong> São Paulo: Paulus, 2003. p. 93.</address>
<address><a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftnref12">[12]</a> REASONER, M. In: HAWTHORNE, G. F. (org.) <strong>Dicionário de Paulo e suas cartas.</strong> São Paulo: Vida Nova/ Paulus/ Loyola, 2008. p. 1021-1033.</address>
<address><a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftnref13">[13]</a> DUNN, James. <strong>A teologia do apóstolo Paulo.</strong> São Paulo: Paulus, 2003. p. 109.</address>
<address><a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftnref14">[14]</a> REASONER, M. In: HAWTHORNE, G. F. (org.) <strong>Dicionário de Paulo e suas cartas.</strong> São Paulo: Vida Nova/ Paulus/ Loyola, 2008. p. 1021-1033.</address>
<address><a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftnref15">[15]</a> DUNN, James. <strong>A teologia do apóstolo Paulo.</strong> São Paulo: Paulus, 2003. p. 112.</address>
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		<title>Dois ou Três?</title>
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		<pubDate>Sat, 19 Sep 2009 19:40:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rodrigo_aquino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ahh Tahh!]]></category>

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		<description><![CDATA[Dicotomia ou Tricotomia? o que é isso? Como a Bíblia divide o ser humano? Ou melhor, ela o divide? Somos uma criatura dividida? Como entender corpo, alma e espírito? Antes de procurarmos um posicionamento que se aproxime das escrituras, é importante definirmos os termos tricotomia e dicotomia.[1]  &#8211;&#62; tricotomia: o termo, que significa uma “divisão em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong><a href="http://www.formulados.com.br/v2/wp-content/uploads/2009/09/tricotomia.png"><img class="alignleft size-full wp-image-1545" title="tricotomia" src="http://www.formulados.com.br/v2/wp-content/uploads/2009/09/tricotomia.png" alt="tricotomia" width="257" height="223" /></a>Dicotomia ou Tricotomia?</strong> o que é isso?</p>
<p style="text-align: justify;">Como a Bíblia divide o ser humano? Ou melhor, ela o divide? Somos uma criatura dividida? Como entender corpo, alma e espírito?</p>
<p style="text-align: justify;">Antes de procurarmos um posicionamento que se aproxime das escrituras, é importante definirmos os termos tricotomia e dicotomia.<a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftn1">[1]</a></p>
<p style="text-align: justify;"> &#8211;&gt; <strong><em>tricotomia</em></strong>: o termo, que significa uma “divisão em três partes” (gr. <em>tricha, “</em>em três partes”; <em>temnein</em>, “cortar”), é aplicado na teologia à divisão tríplice da natureza humana em corpo, alma e espírito. Esse conceito desenvolveu-se da divisão dupla feita por Platão [...]. Os escritores cristãos primitivos, influenciados por essa filosofia grega, acharam a confirmação da sua opinião em 1Ts 5.23: “<em>os mesmo Deus da paz vos santifique em tudo; e o vosso espírito, alma e corpo, sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo</em>”. Em uma versão de tricotomia, Deus habita o espírito (a pessoa interior) e o liberta da escravidão à alma (pessoa exterior) e ao corpo (a pessoa mais exterior) e faz a alma e o corpo subservientes ao espírito.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8211;&gt; <strong><em>dicotomia</em></strong>: este termo, que significa uma divisão em duas partes (grego <em>dicha</em>, “em dois”; <em>temnein</em>, “cortar”), aplica-se na teologia àquele conceito de natureza humana que sustenta que o homem tem duas partes fundamentais no seu ser: o corpo e a alma/espírito, uma parte material e outra imaterial.<a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftn2">[2]</a> Por influência de Agostinho e dos reformadores protestantes, a dicotomia tornou-se a opinião estabelecida na teologia ocidental. J. G. Machen, por exemplo, afirmou ser inquestionável que a Bíblia “reconhece a presença de dois princípios ou substancias distintos no homem – o corpo e a alma”. Para ele, e à maioria dos exegetas, alma e espírito simbolizam a mesma realidade.</p>
<p style="text-align: justify;"> <strong>Problemas da interpretação tricotômica do ser humano</strong> </p>
<p style="text-align: justify;">Essa interpretação da natureza humana, pode, facilmente, deixar despercebida a tremenda ênfase bíblica na integralidade e na unidade, onde mesmo no texto “prova” em Tessalonicenses, Paulo ora para que sejam santificados em <em>tudo</em>, e que [<em>todo</em> - ARC] seu espírito, alma e corpo sejam conservados <em>íntegros</em>. <strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Geralmente, a escola teológica que defende a tricotomia, reduz o corpo a “carcaça”, “templo”, “receptáculo”, etc. da alma e espírito. Leiamos essas declarações:<strong></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Em resumo, a imagem de Deus, no homem, refere-se à imagem espiritual e moral, conforme a semelhança de Deus; e também à imagem natural, pelo fato de o homem ser uma pessoa, à semelhança de Deus, que também é Pessoa. Quanto ao corpo, foi feito por Deus para abrigar a parte espiritual do homem, formado por espírito e alma.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>O corpo não é a imagem de Deus, porque é formado do “pó”. Porém, o Senhor soprou nele a nephesh _ a vida física da alma que possui a imagem e semelhança de Deus (Gn 2.7) Os impulsos físicos, pois, encontram-se sob o controle do espírito humano, a sua parte superior.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Os impulsos físicos, pois, encontram-se sob o controle do espírito humano, a sua parte superior. </em><a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftn3"><em>[3]</em></a></p>
<p style="text-align: justify;">Nessa perspectiva, a utilidade do corpo se resume a “abrigar” a parte espiritual do ser humano, de modo que, se estabelece a superioridade deste em relação àquele. De acordo com estas declarações, alma e espírito abrigam a imagem de Deus, portanto, a dimensão espiritual do ser humano é privilegiada e tem relação direta com Deus. Quanto ao corpo, este possui relação direta com a alma e espírito e só num segundo momento, há relação com Deus.</p>
<p style="text-align: justify;">O corpo na concepção tricotômica está excluído daquilo que constitui a “imagem e semelhança” de Deus, tendo como função abrigar a parte espiritual do homem, isto é, o espírito e a alma. Aqui se percebe uma nítida desvalorização do corpo porque a dignidade do ser humano está no fato de ser semelhante a Deus. Sendo o corpo excluído do vínculo com esta semelhança de Deus, pois é privilégio apenas da alma/espírito, fica estabelecido a divisão do ser humano. Uma parte sua é imagem e semelhança de Deus enquanto outra não. </p>
<p style="text-align: justify;">Como vimos em estudo passado <a href="http://formulados.com.br/v1/blogs/ahh-tahh/imagem-e-semelhanca-copiazinhas-nojentas-de-si-mesmo/" target="_blank">aqui no Ahh Tahh</a>!, tudo no ser humano é <em>Imago Dei</em>, e o ser humano não tem corpo, ele é corpo (<a href="http://ocioteologico.blogspot.com/2008/07/porneia-na-compreenso-de-paulo.html" target="_blank">entenda mais clicando aqui</a>). É preciso entender que os muitos termos que a Bíblia utiliza para se referir as partes específicas do ser humano, dizem respeito ao ser humano com um todo. Vemos muito isso em Paulo, pois ele frequentemente indica a pessoa toda por meio de termos que em outros contextos designam um aspecto ou uma dimensão da pessoa. Ao fazê-lo, ele não contradiz o outro emprego, nem confunde a parte com o todo. Ele vê a pessoa toda de um ponto de vista determinado, ou realça a contribuição de determinado aspecto para o funcionamento do todo.<a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftn4">[4]</a></p>
<p style="text-align: justify;">Em 1Ts 5.23 onde Paulo parece dividir a pessoa em três partes. Mas a intenção de Paulo é exatamente o contrário: “Que o Deus&#8230; vos santifique totalmente (holísticamente)&#8230;”, longe de dividir a pessoa, Paulo expressa a esperança de que os crentes, mediante a obra santificadora de Deus, sejam salvos da desintegração e preservados como seres completos (<em>holos</em>). Ele junta os três termos (somente aqui) para enfatizar, não para definir.<a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftn5">[5]</a> </p>
<p style="text-align: justify;">Na próxima parte de nosso estudo, vamos entender que Paulo não valoriza o espírito em detrimento do corpo, o coração em detrimento da razão, Paulo enxerga o ser humano como um todo, tanto que a salvação do ser humano não acontecerá sem o corpo (1Co 15).</p>
<p style="text-align: justify;">Até lá!</p>
<p> </p>
<hr size="1" />
<address style="text-align: justify;"><a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftnref1">[1]</a> Utilizaremos as definições de WARD W. E. In: ELWELL, Walter A. <strong>Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã.</strong> São Paulo: Vida Nova, 1984. Vol. 1 e 3. e de REASONER, M. In: HAWTHORNE, G. F. (org.) <strong>Dicionário de Paulo e sua cartas.</strong> São Paulo: Vida Nova/ Paulus/ Loyola, 2008. p. 1021-1033.</address>
<address style="text-align: justify;"><a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftnref2">[2]</a> Existe também autores que rejeitam a dicotomia e defendem que o ser humano é retratado na Bíblia como uma totalidade, um todo, um ser unitário, que nesta vida presente não pode ser assim dividido. Esse pensamento, denominado Monismo, encontra amparo na antropologia do AT.</address>
<address style="text-align: justify;"><a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftnref3">[3]</a> GILBERTO, Antonio. (Ed.) <strong>Teologia sistemática pentecostal. </strong>2. ed.<strong> </strong>Rio de Janeiro: CPAD, 2008. p. 259 e 307.</address>
<address style="text-align: justify;"><a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftnref4">[4]</a> REASONER, M. In: HAWTHORNE, G. F. (org.) <strong>Dicionário de Paulo e sua cartas.</strong> São Paulo: Vida Nova/ Paulus/ Loyola, 2008. p. 1021-1033.</address>
<address style="text-align: justify;"><a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftnref5">[5]</a> REASONER, M. In: HAWTHORNE, G. F. (org.) <strong>Dicionário de Paulo e sua cartas.</strong> São Paulo: Vida Nova/ Paulus/ Loyola, 2008. p. 1021-1033.</address>
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		<title>Abbá Pai</title>
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		<pubDate>Wed, 26 Aug 2009 03:26:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rodrigo_aquino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ahh Tahh!]]></category>
		<category><![CDATA[bibo]]></category>
		<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>

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		<description><![CDATA[O movimento gospel dos últimos dez anos tem formatado uma geração que chora nos momentos de louvor, que chama de Deus de papai e que não lê mais a Bíblia. Afinal, para que me esforçar em entender uma coleção de livros se eu tenho essa “palavra” cantada? Tudo tão fácil, tão diluído, tão pobre. Mas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.formulados.com.br/v2/wp-content/uploads/2009/08/worship.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-1260" title="worship" src="http://www.formulados.com.br/v2/wp-content/uploads/2009/08/worship.jpg" alt="worship" width="226" height="245" /></a>O movimento gospel dos últimos dez anos tem formatado uma geração que chora nos momentos de louvor, que chama de Deus de papai e que não lê mais a Bíblia. Afinal, para que me esforçar em entender uma coleção de livros se eu tenho essa “palavra” cantada? Tudo tão fácil, tão diluído, tão pobre. Mas não é sobre o descaso com a Bíblia que quero pensar com vocês, é sobre chamar de Deus de <em>Abbá</em> – papai querido, afinal, chamar Deus de papai é algo muito sério, pelo menos foi para Jesus. </p>
<p style="text-align: justify;">Essa declaração sai muito fácil de nossos lábios, e acabamos esquecendo as dimensões dela. É no falar de Jesus Cristo que Deus é chamado de <em>ABBÁ</em> pela primeira vez, contudo, ele sabia o que e com quem estava falando. Jesus não estava seguindo uma tendência, pelo contrário, estava abrindo o caminho da oração e do louvor consciente. </p>
<p style="text-align: justify;">Para entender as declarações de Jesus é importante conhecer o ambiente histórico-cultural de sua época. Para termos uma idéia, para os povos antigos, a palavra “pai” aplicada para a divindade evocava algo semelhante ao que a palavra mãe significa para nós. No Antigo Testamento, Deus é chamado de Pai apenas catorze vezes, mas cada uma delas é muito importante. Quando Deus é chamado de pai ele é honrado como criador<a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftn1">[1]</a>, ou seja, tinha-se a consciência de que Ele é o Senhor que merece obediência e o Pai que é misericordioso. </p>
<p style="text-align: justify;">Israel acreditava que a paternidade divina era exclusividade sua<a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftn2">[2]</a>, contudo, é nos profetas que o conceito de Deus como Pai adquire todo o seu sentido no Antigo Testamento. Através dos profetas somos informados que a paternidade divina geralmente é correspondida com infidelidade da parte de Israel. É a ingratidão diante da misericórdia.<a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftn3">[3]</a> </p>
<p style="text-align: justify;">O judaísmo palestinense mantém o mesmo significado do AT, é sóbrio em falar de Deus como Pai, onde seu amor e sua misericórdia são a palavra final, contudo, nos tempos de Jesus, não se tem registro de um indivíduo dirigindo-se a Deus como “meu Pai”, era sempre uma invocação coletiva: “Nosso Pai, Nosso Rei” . </p>
<p style="text-align: justify;">“<em>Abbá</em>” nas orações de Jesus. </p>
<p style="text-align: justify;">Foi isso que Jesus fez, dirigiu-se a Deus como “meu Pai”<a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftn4">[4]</a>, não só isso impressionou seus discípulos, o que impressionou mesmo foi o fato de Jesus utilizar a palavra aramaica <em>Abbá </em>(o acento está na última sílaba), pois esse termo fazia parte do balbucio infantil. Mas você pode estar se perguntado, o que isso tem de mais? Referir-se a Deus como <em>Abbá</em> para o judaísmo palestinense era desrespeitoso, e portanto, impensável invocar a Deus com um nome tão familiar. </p>
<p style="text-align: justify;">Jesus abre o caminho para a intimidade com Deus. Foi algo único e inaudito “Jesus ter tomado essa iniciativa e falar a Deus como uma criança fala a seu pai, com simplicidade, intimidade e sem temor. Portanto, não há dúvida alguma de que a palavra <em>Abbá</em>, utilizada por Jesus para dirigir-se a Deus, revela o próprio fundamento de sua comunhão com ele.”<a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftn5">[5]</a> </p>
<p style="text-align: justify;">As orações de Jesus influenciaram a comunidade cristã, tornando-se comum invocar a Deus como <em>Abbá</em>, Pai (<em>Abbá</em>, <em>ho patér</em>), e isso é ensinado pelo próprio Espírito Santo.<a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftn6">[6]</a> Portanto, somo autorizados a chamar Deus de <em>papai</em>: “As palavras de Jesus expressam simplesmente uma experiência cotidiana: só um pai e um filho é que se conhecem mutuamente”.<a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftn7">[7]</a> </p>
<p style="text-align: justify;">Chamar Deus de Abbá é para quem vive o cotidiano com Ele, e não quem aprendeu o sucesso gospel do momento. Chamar Deus de Abbá é mais que friozinho na barriga e mãos levantadas, é compromisso e cruz!</p>
<hr style="text-align: justify;" size="1" />
<address style="text-align: justify;"><a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftnref1">[1]</a> Dt 32.6; Ml 2.10.</address>
<address style="text-align: justify;"><a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftnref2">[2]</a> Dt. 14.1s.</address>
<address style="text-align: justify;"><a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftnref3">[3]</a> Ml 1.6; Jr 3.19s; Is 64.7.</address>
<address style="text-align: justify;"><a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftnref4">[4]</a> Todos os evangelhos são unânimes nessa afirmação. Somente no grito na cruz que Jesus não se serve do termo <em>Abbá</em> (Mc 15.34)</address>
<address style="text-align: justify;"><a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftnref5">[5]</a> JEREMIAS, Joachim. Op. Cit. p. 25.</address>
<address style="text-align: justify;"><a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftnref6">[6]</a> Gl 4.6.</address>
<address style="text-align: justify;"><a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftnref7">[7]</a> JEREMIAS, Joachim. Op. Cit. p. 31.</address>
<address style="text-align: justify;">_______</address>
<address style="text-align: justify;"></address>
<address style="text-align: justify;"></address>
<address style="text-align: justify;"></address>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #800000;">chegaram algumas dúvidas até mim, elas em breve serão respondidas, enquanto isso aqui no Ahh Tahh você pode ler sobre Imagem e Semelhança, Origem do Mal, Lei do Leirato, Biografia do Apóstolo Paulo, </span><a href="http://formulados.com.br/v1/category/blogs/ahh-tahh/" target="_blank"><span style="color: #800000;">é só clicar aqui</span></a><span style="color: #800000;">.</span></p>
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		<title>Imagem e Semelhança &#8211; copiazinhas nojentas de si mesmo</title>
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		<pubDate>Tue, 11 Aug 2009 20:07:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rodrigo_aquino</dc:creator>
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		<category><![CDATA[bibo]]></category>

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		<description><![CDATA[O livro de C. S. Lewis, Cartas do Diabo a seu Aprendiz, apresenta uma troca de correspondências entre um tentador sênior, Screwtape (Criação de Lewis, combinação entre “verme” e algo que se enrola sobre si mesmo), e seu protegido, Wormwood (cupim).[1]  Neste trecho, que reproduzo na íntegra, Screwtape revela as intenções do Inimigo (nessas cartas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.formulados.com.br/v2/wp-content/uploads/2009/08/davince.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-1034" title="davince" src="http://formulados.com.br/v1/wp-content/uploads/2009/08/davince-150x150.jpg" alt="davince" width="150" height="150" /></a>O livro de C. S. Lewis, <em>Cartas do Diabo a seu Aprendiz</em>, apresenta uma troca de correspondências entre um tentador sênior, <em>Screwtape</em> (Criação de Lewis, combinação entre “verme” e algo que se enrola sobre si mesmo), e seu protegido, <em>Wormwood</em> (cupim).<a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftn1">[1]</a> </p>
<p style="text-align: justify;">Neste trecho, que reproduzo na íntegra, <em>Screwtape</em> revela as intenções do Inimigo (nessas cartas o inimigo é Deus).</p>
<p style="text-align: justify;">“Agora, uma coisa que pode surpreender você é o fato de que o Inimigo, em sua luta por conquistar almas, Ele as mantém às vezes por mais tempo nos vales desagradáveis que nos picos gloriosos. E alguns de Seus favoritos especiais são exatamente os que passam por aflições mais profundas e prolongadas. A razão é essa: Para nós, um humano é primariamente comida; nossa meta é a absorção de sua vontade pela nossa, é aumentar nosso ego as custas dele. Mas a obediência que o Inimigo requer deles é uma coisa totalmente diferente. Temos que encarar a realidade de que tudo que se fala a respeito de Seu amor pelos homens e sua obra de proporcionar perfeita liberdade não é (como gostaríamos de acreditar sorridentes) mera propaganda, mas uma aterradora realidade. Ele realmente quer encher o Universo com um monte de copiazinhas nojentas de Si mesmo – criaturinhas cujas vidas em uma escala miniaturizada seriam qualitativamente como Ele próprio, não porque Ele as tivesse absorvido mas porque suas vontades livres eram semelhantes à dEle. Nós queremos criar gado que finalmente nos sirva de alimento; Ele quer servos que mais tarde converterá em filhos. Nós queremos sugá-los, Ele quer premiá-los; Nos somos vazios e queremos nos encher através deles, Ele é pleno e assim transborda. Nossa guerra visa um mundo no qual Nosso Pai Lá de Baixo tenha todos os demais seres encerrados nele mesmo; O Inimigo deseja um mundo cheio de seres unidos a Ele, mas ainda distintos e pessoais.” </p>
<p style="text-align: justify;">O ser humano foi colocado no mundo como símbolo da própria soberania de Deus. Os grandes reis do Antigo Oriente costumavam mandar erguer nos seus reinos efígies de si mesmos, que os representassem como símbolos de sua soberania. Foi nesse sentido que Israel compreendia o ser humano como imagem e semelhança de Deus.<a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftn2">[2]</a> Ou seja, cada ser humano como representante da soberania de Deus.</p>
<p style="text-align: justify;">Não existe nenhuma palavra que explique diretamente no que consiste a imagem de Deus nos ser humano. Nos termos <strong>selem </strong>(imagem, estátua) e <strong>dmut</strong> (igualdade, algo como) onde o segundo interpreta o primeiro ao salietar a noção de correspondência e de semelhança, não se aponta somente para a natureza espiritual do ser humano, mas também para sua natureza física, ou seja, o ser humano na sua integralidade para o desempenho de seu papel.<a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftn3">[3]</a> </p>
<p style="text-align: justify;">“A aplicação do conceito da imagem de Deus ao ser humano é o estatuto da igualdade humana e a constituição da humanidade em ‘sociedade’”.<a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftn4">[4]</a> É necessário entendermos que a ID não é uma capacidade inerente ao ser humano, uma substância divina dentro de si, mas um atributo/status que lhe é conferido.<a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftn5">[5]</a> Como já foi exposto, a ID não pode ser reduzida à parte física nem à espiritual do ser humano, pois refere-se à totalidade da pessoa humana criada por Deus e “programada” para Deus.<a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftn6">[6]</a> Pode-se afirmar que a ID diz respeito a uma estrutura antropológica, uma vocação. “O ser humano é um ente de estrutura relacional, é personalidade que na comunhão com Deus encontra a razão de sua existência e seu verdadeiro destino.” <a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftn7">[7]</a></p>
<p style="text-align: justify;">Ao conferir dignidade ao ser humano mediante a ID, Deus faz do ser humano seu parceiro na manutenção e administração da criação, por isso, podemos afirmar que o ser humano é criação de Deus, porém distinta do resto dela, pois é a única criatura com esse status: Imagem e semelhança de Deus. Ser ID significa ter responsabilidade diante si mesmo, de Deus c do próximo. Mesmo após a queda o ser humano continua sendo ID, contudo, com alterações, pois se nada mudasse com a queda, não haveria necessidade de conversão e regeneração. Em relação ao ser humano caído BRAKEMEIER dispara: “o ser humano é um misto de anjo e fera, de coisa insignificante e preciosidade, de imagem de Deus e do demônio”<a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftn8">[8]</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">O fato de ainda ter a noção do certo e do errado, poder fazer o bem ao próximo, é sinal da ID no ser humano, e isso tem implicações éticas. </p>
<p style="text-align: justify;"><em>quem sabe continue&#8230;</em></p>
<p style="text-align: justify;">Por BibO, mais em <a href="http://www.ocioteologico.blogspot.com">www.ocioteologico.blogspot.com</a></p>
<hr style="text-align: justify;" size="1" />
<address style="text-align: justify;"><a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftnref1">[1]</a> KLEIN, Patrícia S.<strong> Um ano com C.S. Lewis:</strong> leituras diárias de suas obras clássicas. Viçosa: Ultimato, 2005. p. 23.</address>
<address style="text-align: justify;"><a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftnref2">[2]</a> RAD, Gerhard von. <strong>Teologia do Antigo Testamento.</strong> 2. ed. São Paulo: ASTE/TARGUMIM, 2006. p. 145.</address>
<address style="text-align: justify;"><a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftnref3">[3]</a> RAD, Gerhard von. <strong>Teologia do Antigo Testamento.</strong> 2. ed. São Paulo: ASTE/TARGUMIM, 2006. p. 143.</address>
<address style="text-align: justify;"><a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftnref4">[4]</a> BRAKEMEIER, Gottfried. <strong> O ser humano em busca de identidade.</strong> São Leopoldo: Sinodal: São Paulo: Paulus. 2002. p. 21</address>
<address style="text-align: justify;"><a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftnref5">[5]</a> Ibid. p. 20.</address>
<address style="text-align: justify;"><a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftnref6">[6]</a> WESTERMANN, <em>apud.</em> WIESE, Werner. op., cit. p. 64.</address>
<address style="text-align: justify;"><a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftnref7">[7]</a> BRAKEMEIER, Gottfried. <strong> O ser humano em busca de identidade.</strong> São Leopoldo: Sinodal: São Paulo: Paulus. 2002. p. 20.</address>
<address style="text-align: justify;"><a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftnref8">[8]</a> Ibid., p. 47.</address>
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		<title>Qual a origem do mal?</title>
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		<pubDate>Thu, 30 Jul 2009 13:32:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rodrigo_aquino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ahh Tahh!]]></category>
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		<description><![CDATA[Você formulado de plantão, já pensou sobre a origem do mal? Vou arriscar uma resposta. Qualquer pesquisador honesto admite que chegar a uma “conclusão” sobre esse tema não é tarefa simples, mas ao entrar nessa senda, chegar a um destino é necessário. Contudo, vale ressaltar, que a chegada nesse destino não significa, de forma alguma, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.formulados.com.br/v2/wp-content/uploads/2009/07/expulsos-do-paraiso.bmp"><img class="alignleft size-full wp-image-793" title="expulsos do paraiso" src="http://www.formulados.com.br/v2/wp-content/uploads/2009/07/expulsos-do-paraiso.bmp" alt="expulsos do paraiso" width="194" height="243" /></a>Você formulado de plantão, já pensou sobre a origem do mal? Vou arriscar uma resposta.</p>
<p style="text-align: justify;">Qualquer pesquisador honesto admite que chegar a uma “conclusão” sobre esse tema não é tarefa simples, mas ao entrar nessa senda, chegar a um destino é necessário. Contudo, vale ressaltar, que a chegada nesse destino não significa, de forma alguma, o ponto final, o fim da jornada.</p>
<p style="text-align: justify;">Diante da realidade de Gn 1.31 que afirma que tudo que Deus criou é bom, como responder a pergunta: qual a origem do mal? A questão já era tratada na mitologia antiga, que falava do ciúmes que os deuses tinham da felicidade humana, por isso misturaram entre os humanos o fel, o ódio, o mal. O ser humano nesse caso seria vítima do mau humor dos deuses. Outra tentativa de explicar a origem do mal é a versão <em>dualista</em>, que coloca o mal como uma realidade ao lado do bem, dois mundos distintos, dois mundos eternos, dois mundos opostos. O mal como realidade autônoma é hostil ao mundo do bem, travando assim uma eterna luta entre o bem e o mal. O ser humano nesse caso seria vítima de um drama cósmico que vem até ele e lhe determina o destino.<a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftn1">[1]</a> Nos dois conceitos sobre a origem do mal, o ser humano não carrega culpa, é vítima!</p>
<p style="text-align: justify;">A tradição judaica e cristã rejeitou em suas fileiras essa tradição <em>dualista</em> bem como a idéia <em>monista</em> (onde o mal procede de uma única fonte, Deus). Admitiam que Deus pode ser a fonte de desgraças (AM 3.6; Jó 2.10), contudo, nunca o autor do mal originador, Deus não é responsável pelo pecado. A Bíblia fala de uma queda, cujo responsável é o próprio ser humano, isso é bem claro na teologia de Gênesis, não deixando dúvidas que a origem do pecado é antropológica. Nas palavras de um teólogo:</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<address style="text-align: justify;">A natureza do pecado aponta para a origem do pecado em uma queda, uma realidade humana que rompe a bondade essencial da criatura. Como objeto da especial dotação criadora de Deus, a criatura é boa; como alguém chamado em liberdade finita para a especial intenção de Deus, a criatura ainda não é perfeita, mas é capaz de ser tentada e capaz de pecar; e no mistério da liberdade, a criatura origina o pecado.<a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftn2">[2]</a></address>
<p style="text-align: justify;">A origem do pecado está na humanidade, está em Adão (Rm 5.12). Adão e Eva são personagens coletivos, representam a humanidade em geral. Paulo diz: <em>em Adão todos pecaram</em> (1Co 15.22). <strong>Adão é personalidade corporativa</strong>! Não há como atribuir culpa somente a um ancestral, utilizando-o como “bode expiatório”. A queda repete-se em cada pessoa, pois todos pecam. Ninguém está em condições de começar da estaca zero, pois a humanidade traz consigo a marca do pecado.<a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftn3">[3]</a></p>
<p style="text-align: justify;">Questões permanecem em aberto, mas por hora podemos concluir que a dádiva da liberdade que nos foi concedida na criação, trouxe consigo a possibilidade efetiva do pecado, consequentemente a queda. C. S. Lewis diz:</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<address style="text-align: justify;">Julgada por seus artefatos, ou mesmo por sua linguagem, essa criatura abençoada era sem dúvida, um selvagem. Ele ainda tinha que aprender tudo o que a experiência e a prática podem ensinar. Não sabemos quantas dessas criaturas Deus fez, nem por quanto tempo continuaram no estado paradisíaco. Mais cedo ou mais tarde, porém, elas caíram.<a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftn4">[4]</a></address>
<p style="text-align: justify;">O que fica claro, é que a criatura boa de Deus, um dia caiu, e essa queda desencadeou o mal, desde então vivemos sob a insígnia do pecado. De fato não existe uma explicação racional, apesar dos esforços, para o início do pecado, bem como a atualidade do pecado, “a brutalidade do ser humano, seu egoísmo e sua safadeza desafiam a ciência”.<a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftn5">[5]</a></p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<hr style="text-align: justify;" size="1" />
<address style="text-align: justify;"><a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftnref1">[1]</a> BRAKEMEIER, G. <strong>O ser humano em busca de identidade:</strong> contribuições para uma antropologia teológica. São Leopoldo: Sinodal: São Paulo: Paulus, 2002. p. 56.</address>
<address style="text-align: justify;"><a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftnref2">[2]</a> SPONHEIM, Paul R. in: BRAATEN, C. E. <strong>Dogmática cristã.</strong> 2. ed. São Leopoldo: Sinodal, 2002. p. 382.</address>
<address style="text-align: justify;"><a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftnref3">[3]</a> BRAKEMEIER, G. 2002. p. 58.</address>
<address style="text-align: justify;"><a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftnref4">[4]</a> LEWIS, C. S. The problem of pain. In: SPONHEIM, Paul R. in: BRAATEN, C. E. 2002. p. 393.</address>
<address style="text-align: justify;"><a href="http://formulados.com.br/v1/wp-includes/js/tinymce/plugins/paste/pasteword.htm?ver=3241-1141100#_ftnref5">[5]</a> BRAKEMEIER, G. 2002. p. 60.</address>
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